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Minhas cores

                                 

 

 

 

Agora eu tinha uma janela.E dessa janela eu via as minhas flores.Todos os dias de manhã eu descia, sim era no alto, e regava e falava com as minhas flores.Muitas cores.Nomes muitos...também, creio eu, mas não os sei.Vermelhas, brancas e mandarins cantarolavam o cheiro de mato verde-claro. E era muito bom brincar ali, para no fim da tarde não poder mais descer e olhá-las lá de cima, e dizer de lá, de tudo que eu podia ver que elas nunca poderiam.

  Agora eu tinha uma música. E essa música eu dançava todos os dias e cantava todas as manhãs.E tardes. E noites.Era leve, rósea, e tinha dentro coisas bonitas.E nessa hora eu era a bailarina. E conseguia bem a ponta-de-pé. E tinha uma platéia que me via, e aplaudia, e eu era o que havia de mais bonito de se ver.Tinha uma roupa branquinha como nuvens e sapatilhas cintilantes.E era bom estar assim, e olhar para aquelas pessoas e não poder dizer o que elas nunca poderiam.

  Agora eu tinha um céu. E de onde eu ia vê-lo só tínhamos nós dois.E era azul, azul, do mais perfeito azul que eu já quis pra mim.E então eu achava as cores guardadas no armário e trazia. E misturava o vento cheirando a tinta com as cores que eu inventada para criar o meu novo céu. E era mais bonito se eu pudesse viajar em todos eles sem máquinas nem ruídos, nem mesmo asas barulhentas como são as asas. E eu voava alto, e sorria lá de cima para os que não me viam e o melhor de tudo é que eles nunca acreditariam como era bom e como ninguém mais poderia.

  Agora eu tinha um campo. E o meu campo tinha colinas. E as colinas tinham lírios brancos e muitas margaridas. E violetas rosadas.E eram tantas que eu as levava ao correr, e as atirava ao chão, sem querer. E eu corria com meus cabelos compridos e meu vestido rosado e tinha vermelhas as faces. E meus olhos banhavam o sol. E essa manhã nunca acabava...

  E eu achava alguns papéis. Nesses eu punha alguns versos pra ver se eu contava a alguém que não acreditariam, porque também ali não poderiam...

  Agora eu tinha anjos. Mas os meus anjos não tinham asas e não eram nada, nada especiais. Eles estavam  num outro mundo onde nada ruim acontecia, pois ninguém saberia explicar como seria. Lá sempre se procurava o verdadeiro sentido, e muitas vezes tentávamos achar de onde vinha a poesia. E todas as pessoas que eu queria estavam lá também. E só havia o dia, mas era bom de se escrever de dia. O entardecer não faltaria, não...Pois havia dias em que eu passava os dias as esperar se anoitecia...Mas aí o dia renascia. E eu olhava para o mundo que já não existia e sorria, e pensava se podia dizer de lá, tudo que eu podia ver que ninguém mais poderia.

 

 



Escrito por **LeggionariA LunA** às 11h42
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