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O vaso vazio Vagando Porque oscilo em tudo e tanto Alma perdida Desleixada Desvairada Esvaída. Porque descrente De tudo que se busca Inutilmente Muito ofusca O olhar dormente Já nada incrusta A mente Doída Alheia Rendida.
Vagando Porque renego toda certeza Repleta De aspereza Incompleta. Porque de tudo O que fica É mesmo a procura E nenhuma cura Me virá abrandar A tortura constante De nada encontrar.
E de tudo que desisto Só não deixo de pensar Onde me irá levar Esse tormento De ser (vadio intento) racional?
Oscilando Em tanto instante Que já não firmo Nem penso idéia E um qualquer colibri Cruza um céu não longe Vem me dizer A boca só fala Do que está cheio o coração Emudeci-me.
Dois mil passos no mesmo rumo A velocidade é lenta Chove, sopra, chove... E a possibilidade me atormenta É a possibilidade Que atormenta. Escrito por **LeggionariA LunA** às 08h50 [] Oh, melodias! Quanto eu sonhei! Quanto de ilusões enquanto soavam as músicas de meu passado dourado... De ideais me construí. De caráter me servi. Em buscas me perdi. No fim de todas as coisas há sempre solidão. A mágoa é a praga devastadora da ilusão. E as minhas melodias tantas não as ouço iguais. Há tantas folhas secas nos jardins dos sonhos que me chamam...E a felicidade é alquimia que todos desejam, mas é que esta diminui a cada dia mais de vida, a cada nova experiência, desgaste, sofrimento, ausência. Onde estou é sempre o lugar que procuro ver. E parece-me que tudo aqui foi grande tempo perdido. Muito deixarei ao partir : tudo que perdi. Tudo de que não quero recordar. Eu levo somente alguma mala...alguma alma...o mais, não sei. Talvez a saudade de tudo isto nunca ter vivido.
Calo-me. Mas resta o peito. Silêncio...não é ausência. Descrença Se me alimenta Doença não é amor. Lamento-me. Mas resto e insisto. Vertigens...mas sobrevivo Ambíguos Todos sentidos Vencidos os corações. Desolo-me. Mas resta o tempo. Inúteis Todas paixões Varões destes sentimentos Tormentos...vis ilusões. Escrito por **LeggionariA LunA** às 14h18 []
"Pai, afasta de mim esse cálice, de vinho tinto de sangue..."
A dor é o limite de quando tudo já parece insuportável. E do limite do quando impossível viver em seu próprio corpo, de ser já intolerável a própria mente ela nasce, preenchendo tudo, devastando, confortando uma cabeça descentrada e repartida em mil pedaços. E passa a ser então um único ponto certo com palavra certa nesse mar da mente. Vem a loucura como anestésico à dor...que insiste... Toda razão é amada, todas as condutas parecem inválidas...qualquer lógica em formar alguma frase, inútil. Vem a dor de todo o cosmo, me dilacera a face que sucumbe em lágrimas, me empurra à terra o corpo débil, e de joelhos entre a poeira dos seus pés te louvo. Olhem...parece, ela vem de toda gente....parte de buracos escuros e janelas lustrosas, parte de disfarces sorrisos, como de leitos esquecidos. Vem de amores malditos e de seus vitimados sem orgulho, vem da maldade de todos que mata-me a pouco e pouco, maldade que temo, que morro, que nunca compreendi. Vem de crianças que riam em meus sonhos dourados, vem das paisagens e dos lugares que um dia sonhei estar. Vem inebriando tudo, murmura, sopra, veloz e vertigem. Vem mansamente e ninguém a vê. Vem, e seu destino sou eu. Desce das estrelas que se refletem em olhos afogados em loucura e desespero, que sem qualquer recusa a pressentem, e clamam: Vem Dor Suprema, que tudo dentro em mim já foi tirado. És agora o que me resta. Escrito por **LeggionariA LunA** às 10h48 [] |