::Perfil::







::Amigos::


Melodiahot®



::Sites Legais::
.::MINHAS LETRAS::.
.::A Casa do Bruxo::.
.::Só Cultura::.
.::Cultura!::.
.::Mundo Cultural::.
.::Música de Pernambuco::.
.::Arte & História::.
.::Salvador Dalí::.
.::Frevos de Pernambuco::.
.::Recife Rock::.
.::Surrealismo::.
.::Van Gogh::.
.::Chico Buarque::.
.::Projeto Releituras::.
.::Para Ler e Pensar::.
.::Minha Biblioteca::.
.::Vidas Lusófonas- biografias::.
.::Observatório da Imprensa::.
.::Pintura Brasileira::.
.::Biblioteca Nacional::.
.::alceu valença::.
.::Pablo Picasso::.
.::Monet::.
.::Pernambuco.com::.
.::Veja::.
.::O Guia dos Curiosos::.
.::Leitura Crítica::.
.::Memória Viva::.
.::Vagalume - Letras::.
.::Fernando Pessoa::.
.::Clarice Lispector::.
.::Millôr Fernandes::.
.::*BLOGS AMIGOS:*::.
.::Blog da Gi::.
.::Liliane Prata::.
.::Igor::.
.::Lilith::.
.::Borboleta Lunar::.
.::Vortisto::.
.::Leila::.
.::Simone::.
.::Leseira Geral::.
.::Pudores e Despudores::.
.::Leitores Escassos::.
.::Pensamentos por Minuto::.
.::Bárbara Taz::.
.::Palavra Perdida::.
.::Dizeres e Dizeres::.
.::uma coisa de cada vez::.
.::miss lexotan::.
.::marcelo tas::.
.::sorvete de casquinho::.
.::quintal de casa::.
.::Lú::.
.::ceiça::.
.::meu limão::.
.::karina::.
.::mar da poesia::.
.::blônicas::.
.::sopa quente::.
.::mestre das chinelas::.
.::Verso e Prosa::.
.::Poesia e Cia::.
.::Palavreando::.
.::Poesia Morta::.
.::Recanto das letras::.




::Já Passou::
01/10/2009 a 31/10/2009
01/04/2009 a 30/04/2009
01/03/2009 a 31/03/2009
01/10/2007 a 31/10/2007
01/07/2007 a 31/07/2007
01/05/2007 a 31/05/2007
01/04/2007 a 30/04/2007
01/01/2007 a 31/01/2007
01/11/2006 a 30/11/2006
01/03/2006 a 31/03/2006
01/02/2006 a 28/02/2006
01/01/2006 a 31/01/2006
01/12/2005 a 31/12/2005
01/09/2005 a 30/09/2005
01/08/2005 a 31/08/2005
01/07/2005 a 31/07/2005
01/06/2005 a 30/06/2005
01/05/2005 a 31/05/2005
01/04/2005 a 30/04/2005
01/03/2005 a 31/03/2005
01/02/2005 a 28/02/2005
01/01/2005 a 31/01/2005
01/12/2004 a 31/12/2004
01/11/2004 a 30/11/2004
01/10/2004 a 31/10/2004
01/09/2004 a 30/09/2004


::Créditos::





::Votação::

Dê uma nota para meu blog






::Contador::



esse texto abaixo foi meu primeiro "livrinho", ontem mexendo no baú eu achei...essa é a primeira parte. A Lavínia é em parte um alter ego meu, mas sua história tem partes ,melhores e piores que a minha, o que há de emelhante é a forma de pensar. A história começa detalhando o fator psicológico da personagem, para que nao precise ser devidamente explicada cxada ação de sua vida, daí pra frente, que é quando ela faz 18 anos e sua vida muda, passando do sofrimento a uma série de desafios...outra história minha é a da negra Bela, mas essa está longe de ser um acervo psicológico ou sentimental, é antes uma crítica recheada de ironias, sobre uma menina sonhadora mas que tem o grande mal da inveja, e esta lhe leva a atitudes engraçadas e outras perigosas, etc, etc...não fiz poesia essa semana...a lua mudou de fase ne...falta de tempo também...

Escrito por LuA às 09h29
[]




Caminhando vagarosamente sobre as folhas secas imaginava quantos de seus passos já não podiam ser resgatados dos solos por que andaram. Procurava sentir o silêncio que ecoava em sua alma que condenada à solidão parecia estar. Em seu rosto a palidez se refletia, ávida das cores que não as tingiam mais. Na face em que antes a vida parecia diretamente reinar, lia-se singular abatimento, ausência de entusiasmo, como soldado desistente da refrega que lhe converteria sua glória ou sua derrota por suas próprias mãos. Mas sentia-se incapaz diante do furor com que acontecia seu destino, escrito em alguma parte do universo, com tudo que ainda haveria, já acontecido, na espera apenas de que o real lhe pudesse concretizar.

 Tornava à casa ao mesmo tempo em que o faziam um bando de aves marinhas que embalavam-se ao último revoar. Pensava no quanto desejava agir como estas, que iam encontrar o horizonte sem preocuparem-se se teriam onde pousar ao cair da noite, e apesar disto seguiam no caminho em que desdobrava-se apenas o mar.

 Como estaria agora se houvesse tido a chance de decidir? Já não podia voltar atrás, e uma invasão de pensamentos a invadiam, oriundas das lembranças que desejava esquecer. A vida a havia escolhido muitas vezes a outrem e esse desafio lhe deixara a discreta agressividade do olhar que ao perigo oculto de tudo parecia afrontar,como quem dominou o inimigo e que sente que este continua a seguir-lhe os passos, sem ter mais o dom de amedrontar, pois estava ali, contra as intempéries do tempo e do furor da natureza de todos os matizes que não a puderam abater. Porque era a eleita. Eleita de algo desconhecido, que a assustava. Predileção de tirano inconsequente que ultrapassava mesmo a justiça das escolhas que sofrera, ou a impossibilidade de momentos em que a vida lhe mostrou seu limiar em que parecia impossível que pudesse vencer. E vencera.

 Pudera vencer a morte. Não obstante, enfrentava a procela interior, parecendo-lhe esta, porém, muito mais custosa. A  cismar no egoísmo de sua solidão rasa de esperanças em tão tenra idade, aprendera desde muito cedo o ofício de nossos idosos, que, abandonando as esperanças de sua alma em anos, como pétalas desfolhadas ao caminho, chegam ao talo desvalido da flor, é quando silenciam os lábios para ouvir -ou calar- as vozes que promanam do âmago.

 Absorta nesses pensamentos Lavínia subiu os degrais em falso da curta escada de madeira velha que conduzia à varanda. Ao abrir a porta, d. Blandina, sua avó, a esperava; na fisionomia, a ânsia dos que já não tem labores suficientes em que distrair a mente julgando que sua vida, perdendo com o viço da pele a importância, mais útil torna-se a compenetrar-se no viver de outro. Ao ver a pergunta muda naqueles olhos cansados, os lábios de Lavínia, quase que não animavam-se a dizer :

 -Então está decidido...

 Saiu então da sala, sem querer presenciar em seu rosto o efeito doloroso daquelas palavras, que já eram esperadas. Recorria à sonoridade de sua voz, quase em murmúrio, valendo-se deste dom que a música tem de abrandar a aflição de um silêncio reinante, num lugar tão ermo de casas e pessoas.

 Deteve-se no corredor, à imagem da janela. seus olhos translúcidos detiveram-se à imagem antes afagada por seus sonhos infantis: uma lua amarela e imensa, imponente, calcando abaixo de si os arvoredos distantes e todos os problemas do mundo. Recostou-se à janela, para adimirar aquela que, como ela, estava condenada à solidão, a desbravar noites negras e

tantos céus sem encontrar jamais um ponto em que deter-se. Como ela, que na velocidade

inconstante de seu pensamento turbulento, ora se via irradiar, deslumbrar imponente a olhos quaisquer, desviando para si as atenções possíveis dos olhos cravados no chão, ora se via reduzir infinitamente, e minguar até esconder-se – para não dizer afogar-se- no negror do mar.

 Não havia muito tempo porém, o ressurgir do sol a levaria a outro lugar. Esvaindo-se a noite, levaria aquela lua o fim de um tempo em sua história. Mas não desanimava, estaria disposta a buscar seu destino, onde ele estivesse.



Escrito por LuA às 09h20
[]




oi pessoal estou de volta, pra quem pediu atualização...ai tem onze...apesar de uns probleminhas de formatação, mas tudo bem...quanto aos contos e às crônicas, tenho sim, algumas prontas mas meu senso crítico ainda não está seguro delas, vou dar uns toques e acho que semana que vem, quem sabe...

Escrito por LuA às 14h44
[]




Mas isso não é tudo

  Eu poderia dizer palavras repetidas e desgastadas, e fazê-las tão novas quanto aquelas que, de tão usadas, reencontram seu valor a cada novo pronunciamento. Mas isso não é tudo.

  Eu poderia usar papel e caneta para definir-me em linhas, e permitir que tantos conheçam o pouco que eu mesma conheço de mim, do que posso ser em palavras. Mas isso não é tudo.

  Eu contaria como se faz para guardar e levar essa nostalgia que tenho desde que ainda não sabia o que era nostalgia, e como senti-la tão forte pelo vivido, mais ainda pelo que não foi vivido. Mas isso não é tudo.

  Eu poderia tentar explicar como e por quê serenei minha mente e hoje desvio-me de intrigas e discussões banais, e poderia dizer como é fácil compreender, mais ainda o quanto gosto de me dedicar a isso. Mas isso não é tudo.

  Eu poderia tentar transferir essa ânsia de viver com tanta pressa, à espera de tanto e de nada, e poderia falar para muitos o quanto de tempo já está perdido em coisas tão irrelevantes quanto a busca por ser-se sempre o melhor, quanto tempo vai-se perdendo em nossos hábitos mentais, inúteis, a que dedicamos um tempo precioso, que poderia ser gasto com tudo, menos consco mesmos. Mas isso não é tudo.

  Eu poderia traduzir em palavras poéticas todas as cores de todos os sóis que vi, nascentes, poentes, e todas as estradas que me trazem aqui. Eu poderia contar, assim, a sensação de perda constante que consigo abandonar em cada rancho já abandonado, na encosta da montanha. Mas isso não é tudo.

  Eu poderia olhar para alguém e mostrar-lhe o seu limite, e dentro deste, dizer-lhe tudo que poderia ser, se fosse capaz de não contentar-se com efêmeras e inseguras opiniões alheias. Poderia ajudar a alguém que percorresse algum caminho que já transpus, indicando-lhe as pedras em que já tropecei, e os atalhos em que já me perdi, trazendo-lhe ao menos até o ponto em que consegui chegar. Mas eu não digo a ninguém como deve agir, pois isso não é tudo.

  Não é tudo porque ainda precisamos de ações, mesmo quando repletos de palavras. Não é tudo porque palavras são somente aquilo em que queremos acreditar.

  Isso não é tudo, pois quantas pessoas cercam-me agora, ao labor das palavras que contradizem seus atos, esquecendo-se do quanto disso eu já vivi, e quantas vezes também agi assim, e o quanto dessa mentira saturou-se em mim... Esquecendo-se de que seremos sempre ações, ainda quando as palavras se esgotem na mente e nos lábios. Mas também isso não é tudo.



Escrito por LuA às 14h33
[]




Deserto

 

Se eu quisesse

Se eu pisasse duro, fortemente

Poderia deixar minhas pegadas nesse chão

Se eu quisesse isso, tão somente.

 

Tentar ressurgir da boca para fora

Tentar falar para escutar o certo

Como em grãos de areia, palavra a palavra

Tudo encerrando um grande deserto...

 

E se a poeira às vezes embaça-me as vistas

Não impede de ver o que realmente há

Por fora, por dentro de qualquer pessoa

Há a poeira que aqui não ficará.

 

Rostos conhecidos se desenham

Como retratos na areia molhada

Mas esta secará, e com o vento

Toda a poeira será levada.

 

 

Em vão tanta busca. Em vão tantas dunas

Tentam esconder o que está exposto

Não há como reunir a poeira que se vai

Não há como enxergar, nisso tudo, o seu rosto.

 

A areia espalha-se, ela é o deserto

Ela me mostra o que realmente devo ver

Quero ver a tudo que está encoberto

Ela me dirá, então, como fazer.

 

Buscando tanto, sendo tão pouco

E debaixo do sol você tem que caminhar

Tão pouco você sabe sobre ela

São grãos que não podem se encontrar.

 

Esta areia que nada mais é

Do que os grãos que a formam

Em algum vento que não sabes qual é

Se dispersam, te encontram, não retornam.

 

 

E se é isso o que quebranta teu sorriso

E se é disso que você julga viver

E se é por isso a sua luta tão inútil

É que você não a pode compreender.

 

Deixar a areia falar ao vento

Deixar o vento falar ao coração

E no centro que encerre essa emoção

Poder sentir muito mais que o acalento

 

E muito mais do que um momento

Areias vem, areias vão

Deserto e pouco sentimento

Areias não levam a minha razão...



Escrito por LuA às 14h31
[]




Flor de Setembro

 

É o silêncio que mesmo no dia de sol

Faz a noite entrar em meu coração

E no espelho, o reflexo da escuridão

Das sombras distantes de saber qualquer coisa.

Abrem-se as portas a qualquer pesadelo

Os olhos presos da pintura na parede

Presentes do longe da alvorada

E de tudo que reparte o meu passado...

E o passado que não vai acontecer

Preso no alto de uma torre

Que com palavras não se pode construir.

Habitantes do anoitecer: pensamentos

Que pela noite vão surgindo

Preservados para sempre por uma triste visão

De tentar o que já não pode ser.

Achar tua alma para sempre sofrendo

Viver no teu corpo para sempre morrendo

Te dizer onde termina o recomeço

Teu rosto é sombra em olhares de safira

Do infinito do céu em que não estejas

A alvidez traz as marcas fugazes

Das lágrimas que se finge não perder.

Destruíram os teus sonhos e canções

Quem sou eu, para querer sofrer

Tendo diante de mim o que resta

Do que de ti em mim ficou

E me deixar viver na ilusão

Dois fugitivos de um sonho sanguinário.



Escrito por LuA às 14h29
[]




Guerra Fria

 

Abra seus olhos

Abra seus horizontes

Desmonte o seu disfarce

Quebre seus espelhos

Não aceite o empate

A guerra está armada

Interrompam-se as torres

Quebrem-se as escadas

Destruam-se as pontes

E que se fira com palavras

Não se importe com o real

Não se desfaça da mentira

Não procure ninguém além

De quem está ao seu alcance

Sinta o desafio

Vá muito além de buscá-lo

Queime as cartas não escritas

Entregue ao vento, deixe-se levar

Satisfaça seus sentidos

E não queira superá-los

Cante e fale sentimentos

E não perca em sentir

Nunca seja único

Seja dois, ou três, o quanto puder

E não deseje chegar a lugar algum

Que esteja além do que quiser

Atraia para si tudo quanto puder

De bom, de ruim, de inútil e fútil

E quando tudo isso não mais lhe aprouver

Pergunte-me e eu direi

Quanto tempo você perdeu quando queria ser

Muito mais do que aquilo que realmente é.

(Coloquei minhas armas no chão, e não posso mais alcançá-las. Essa guerra é muito além de minhas mãos.)

 



Escrito por LuA às 14h29
[]




Como devia estar

 

Observar o mundo que cai

E divulgar o naufrágio do que foi

Sonhos que começam pelo fim

Saudades que caem no quintal

Um castelo de papel que desabou

Um brilho incostante em meu olhar

Tão distante e tão fiel ao meu pesar

Primaveras em outra estação

Folhas secas caem no verão

E a chuva que não pôde chover

Agora vem tormentosa

Vem agora enlouquecer

A saudade que deixou-se guardada

Ainda está lá, no fundo da gaveta

E quando abro

Só resta a vontade de senti-la

Sem poder mais

Dando lugar ao remorso de não podê-lo

Não saber mais buscar o passado

Trancando-o novamente na gaveta

Sentindo de repente, num retrato

Já é hora...hora de alguma coisa

Que começo a enxergar mas não posso compreender

E tudo ficará como devia estar.

 



Escrito por LuA às 14h27
[]




Desafios

 

O perigo faz meu sangue ferver

Andar sobre o abismo com os olhos fechados

Para me provar e te provar

Que estou muito além do desafio

Volátil

Volúvel

Toda essa gente, tudo isso tão inútil

Muito pouco podemos saber

E lembrar

Permitir

Não parar

Não cair

Cansada de tudo, de tantos...

Toda essa gente que não cansa

De nos dizer o que fazer, o que pensar

Se alguém há de perfeito nesse mundo

Saiba que esse alguém não sou eu.

Somos crianças a tal ponto de tudo saber

Somos estúpidos ao ponto

De dizer o que fazer

Cada qual faz seu próprio caminho

Cada um tem sua estrada

Não o ajude a constuir, nem ensine a caminhar

Não queira abrir os olhos

De quem não vai enxergar

Isso não te fará melhor

Isso não te levará além do pouco a que conseguiu chegar

Quem é dono das palavras é escravo das ações

Quem é dono da verdade não é dono de ninguém.

 

 



Escrito por LuA às 14h23
[]




Noite

 

A noite me convida para a rua

Promessas me fazem esquecer

Meu corpo levado pela música

Nesse ritmo embalando tudo o mais

Sem querer nem saber que pensar.

O gosto amargo que ficou para trás

Vozes da mentira a nos buscar

E dançando, além do desafio

Dançar à beira do precipício

Render-se ao chamado das luzes

Inebriar-se com qualquer perfume

E o álcool a pressentir-se nos olhos de alguém

Exalando tão próximo, a convidar

E não pensar, não lembrar

Num rio de ilusões, sensações

A luz da lua é testemunha

Olhar sem ver nada mais

Lábios que encontram-se, explodem

Queimando-se no ritmo inconsequente

E se dispersam logo mais e, mais à frente

Há alguém que espera...

E à espera do amanhecer

Nessa ânsia de não deixar que a noite se vá

Uma noite, um mundo a se dominar

Sentidos a se explorar

E a música não pode parar...

Olhares felinos devoram-se

Braços se esquentam, e os pés a dançar

Sem ver, sem crer, sem pensar

Corações volúveis e fiéis a si mesmos

Deixando-se em vários ritmos tocar

Frenesi das maiores alegrias

Que de tão passageiras não podemos fixar

E em busca de outras estaremos logo mais

Assim que essa noite acabar

E um dia clareia, no sono a esperar

Apenas

Uma semana passar.

 



Escrito por LuA às 14h22
[]




Vestígio

 

Não consigo achar nenhum vestígio

Não ouço a voz do que antes foi dito

E não desejo saber o que está acontecendo

Onde eu pertenço para sempre

Onde realmente irei um dia estar

E não posso evitar se viajo nessa fantasia

Ainda que não durma para poder sonhar

Olhar para o outro lado

Do que eu queira realmente ver

Traçar uma linha incerta

De tudo que quero buscar

Os pensamentos se tornam profundos

E tantos, que não me deixam falar

É quando tudo começa a se confundir

Então procuro algo para me guiar

Nas asas do vento eu vou mergulhar

Sair de tudo e de mim, de todos

Voar por toda parte, achar um lugar

Descer dessas asas e então parar

Mas estou viajando novamente sozinha

Uma viagem de volta, em volta do mundo

Em volta desse mundo de palavras e rostos

É tão fácil largar, deixar tudo para trás

Se às vezes jogo tudo pro alto

Pela graça que nisso há

A facilidade ( que é minha e não compreendo)

com que posso não estar mais aqui

E de nada mais poder lembrar

Não me prender, estar sem ficar

Dar as costas sem me importar com o que deixo

Ou com as mentiras que não me importam mais

Pois o que vale muito pouco

É o que sinto aqui dentro

Então não devo me importar

Eu estava tentando lembrar o motivo

Do medo que já não tenho de ser eu mesma

Agora, e pra sempre, embora tudo que possa custar

É somente a mim que não posso enganar.

 



Escrito por LuA às 14h22
[]




Insanidade

 

Ouça os ecos da insanidade

Que vem de longe, que tão perto nos cerca

Vamos tentar reviver o que passou

Vamos entender as vozes que nunca ouvimos

Vamos acreditar que não restou só o pó

Acreditar que a balsa não afundou

Acreditar que o dia não acabou...

Olhar o entardecer para tentar sempre

Sempre, evitar

Que o dia passe, que não se vá

Mas ainda está além das minhas forças

E sei que um dia irei chegar

Se o relógio nos faz de tudo desacreditar

Não vale a pena mesmo com nada nos envolvermos

Se tudo passa...será que tudo passará?

Se o real nem sempre é o que está acontecendo

A nossa vida é tão somente a que vivemos

Dentro de nossas mentes

E tudo passa, tudo

Menos o que não deixamos passar.

Em todos os lugares que fui

Passando, não fiquei

E deixei

Pedaços de mim eu sei, ficaram

E hoje ainda restam em algum lugar

No mundo de mentes que não me deixarão passar

Que hoje são ecos, ecos da insanidade

Que me cerca mas que já não pode me devorar

Eu aprendi a dominá-la

Hoje eu sei o que preciso

Hoje aprendi a lutar

E abandonar a certeza de vencer

Capaz de tornar toda luta inútil

Que seria de nós sem esses ecos

Da insanidade que invade

Para a todo instante nos desafiar?



Escrito por LuA às 14h21
[]




Quando

 

Quando estiver sozinha na terra de ninguém

Vou deitar-me sobre a via láctea

De lá enxergar que o tempo não passa

De lá perceber que no mundo há alguém.

 

Quando estiver sozinha no silêncio

Irei cantar alto qualquer coisa

Assim perceber minha voz que te diz

Assim enxergar que não estou só.

 

Quando estiver ouvindo uma história

Irei rir alto para nada contar

Assim vou dizer sem dizer, o que penso

Assim embalar com meu riso o falar.

 

Quando estiver no meio de uma multidão

Irei para longe e para nada olhar

De lá olhar firme num só olhar

De lá, nesse olhar somente, ficar.

 

Quando estiver sobre a ponte do alto

Para baixo ou para frente, não irei olhar

Fecharei os olhos, para saber o que pensar

Assim encontrar o meu mundo a girar.

 

Quando estiver ouvindo o som de alguma voz

Irei somente ao som desta dançar

E nesse ritmo voar, sem nada escutar

Não ouvir e não crer, então não me machucar.

 

Quando a lua de prata estiver lá no céu

Estarei na neblina que cobre o mar

E à lua do mar tocar, afogar-me

E tão longe do céu para sempre vou estar.

 

 

 

 

 

 



Escrito por LuA às 14h20
[]




  ESSA SEMANA PASSADA TIVEMOS A NOTÍCIA DA MORTE DE FERNANDO SABINO. ESTE ERA JUSTAMENTE O MOMENTO EM QUE EU COMEÇAVA A CONHECER SUA LITERATURA, APESAR DE TER LIDO OUTROS LIVROS, FOI “ O ENCONTRO MARCADO”  QUE TORNOU-SE UM DOS MELHORES LIVROS QUE EU JÁ LI, DIGNO DE RELEITURAS. O FATO É QUE, PELA ADMIRAÇÃO QUE TIVE POR ESSE LIVRO, MAIS DO QUE SENTIR A MORTE DO AUTOR, SENTI A MORTE DO PERSONAGEM-O EDUARDO- QUANDO DESCOBRI, ATRAVÉS DAS ENTREVISTAS, QUE AQUELE PERSONAGEM TÃO INTERESSANTE –E POR ISSO MESMO (PENSEI) IRREAL- ERA, EM MUITO, O PRÓPRIO FERNANDO SABINO. FATOS COMO O CASAMENTO, A NATAÇÃO, A LITERATURA, AS AMIZADES,A  BUSCA DA ANGÚSTIA LITERÁRIA, E OUTROS FATOS EM COMUM. É COMO SE O EDUARDO FOSSE O FERNANDO SABINO QUE NÃO  DEU CERTO, VISTO QUE SUA VIDA SEGUE COMO SE ELE FOSSE ALGUÉM QUE PROCURASSE SEMPRE O CAMINHO MAIS LONGO SEM OBJETIVOS TRAÇADOS, EM BUSCA DE UM DESTINO QUE ELE JULGAVA JÁ À ESPERA DE SEU ENCONTRO, PROCURANDO ALGO QUE ELE MESMO NÃO  SABIA O QUE ERA, ACHANDO-SE MUITAS VEZES ALÉM DE TODOS, E DEVIDO À SUA PRESSA EM VIVER SEM CERTEZAS FIRMADAS, ERRAVA SEMPRE. O ROMANCE TRAZ CERTO PESSIMISMO, CONTANDO DESDE A SUA INFÂNCIA E A PERDA GRADUAL DAS ESPERANÇAS, . O ENCONTRO MARCADO COM AMIGOS DE INFÂNCIA, AS VIDAS SEPARADAS, E O FUTURO IMAGINADO DESFAZENDO-SE NO FUTURO QUE ACONTECIA, SEM QUE ELE PERCEBESSE ...COM SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS, SABINO, O QUE

NASCEU HOMEM, E MORREU MENINO. AOS QUE GOSTAM DE LER, RECOMENDO, NÃO SÓ O ENCONTRO MARCADO, COMO “A VITÓRIA DA INFÂNCIA”, “O MENINO NO ESPELHO”, “A FALTA QUE ELA ME FAZ”, “ A COMPANHEIRA DE VIAGEM” ETC, ETC, ETC...

PALAVRAS DE “O ENCONTRO MARCADO” :

De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando; a certeza de que era preciso sempre continuar; e acerteza de que poderia ser interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um novo caminho, fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, e da procura um encontro.



Escrito por LuA às 14h17
[]




queria agradecer a todas as pessoas que visitam esse blog,pelos emails que tenho recebido, pelos comentários, pelas críticas, enfim, pelas visitas, que eu não imaginava que fossem tantas.Criei esse blog com o objetivo de arquivar as coisas que escrevo, não de expandi-las tanto,ou somente para pedir comentários, e por enquanto estou fazendo mais poesias, às vezes algum conto etc, e é muito bom saber que tem muita gente que se identifica com essas palavras...E quanto aos emails, responderei todos os que for possível.beijos

Escrito por LuA às 06h08
[]




Chove

Apesar da chuva tão forte
Eu estou aqui, não estou aqui...
E está tão fria a noite...

Por que é tão difícil dizer o que se sente?
Por que não pode ser verdade
A palavra que se mente?

Não consigo abrir meus olhos
Quando procuro enxegar
Eu não abro, eu cruzo os braços
Ante a possibilidade de amar.

Não quero tanto a nada
A ponto de pedir
Não me importo tanto com isso
A ponto de exigir,
Eu não digo a ninguém como deve agir.

A chuva forte, nuvens escuras
Não posso deixar a chuva cair
Está tão frio, deixe-me ficar
Enquanto não tenho aonde ir.

Estou distante, estou tão perto
Estou perdida e adormecida
O sol clareia, eu não desperto
A chuva estava tão sofrida...


Escrito por LuA às 23h20
[]




Queda

Eu tentei tocar o sol
E cheguei tão alto
Com meus dedos queimados
Deixei-me cair
Cair
Cair.

Eu estou caindo
Uma viagem ao chão
Você pode me aplaudir
Caindo diante de você
Não tente me parar
Não tente me salvar
O que quero é chegar ao chão
Não quero qualquer solução.

À prova da gravidade
Me vejo subir, querendo cair
Eu estou aprendendo
Ascendendo
Vivendo
Muito pouco a saber...

A velocidade com que o vento me impele
Arranha meu rosto, esfria meu corpo
Ao frio da morte, desejo voltar
Tudo tão pequeno maior vai se tornando
Já não é a terra que está girando
Sou eu, meu mundo rodopiando...

Tudo abaixo de meus pés
Sobre nós há algum outro chão
Eu tentei mas não consegui
Ele está muito distante
E a luz não é só bem
Queimei a ponta de meus dedos

Se estou dormindo ou se não consigo
É estar perdida sem permitir
Que ninguém me encontre
O momento da queda
Vai levar-me ao chão
Que meus pés não podem suportar

O impacto, os lhos da multidão
Se não me amparem duas mãos
Depois da queda, nada mais restará.


Escrito por LuA às 23h19
[]




Algum lugar em que eu me encontre

Se você não sabe aonde ir
Não tente me confundir.
Algum lugar em que eu me encontre
Alguma coisa fora do comum...

Depois de tudo queimado
Eu não os vi morrer
Já é tarde
Talvez cedo
Meu passado
Está preso
Não retorno nem olho para frente

Eu não vou ouvir o que tem a dizer
Eu já sei o que vai pensar:
Alguma coisa tão comum, como todos...
Mas o que eu quero
É algum lugar em que eu me encontre
Quero alguma coisa fora do comum...

Não rio de ninguém
Rio de mim mesma
Grito para me acordar
A caneta não me deixa enlouquecer

Palavras são suficientes para provar?
Lembranças são suficientes para amar?

Toda essa lei nos torna tão inúteis
Todas essas bocas que nos falam
Nos desgastam tanto, e não mundam nada:
Seja qual for a ação, sobrepõe qualquer palavra...

Eu não quero provar nada disso
Quero um lugar em que eu me encontre
Quero alguma coisa fora do comum.


Escrito por LuA às 23h17
[]




Uma ponte em meu caminho

Cheguei até aqui
Decidi voltar, não avançar
Pensei que não estaria sozinha agora,
Esta ponte insegura vou abandonar.

Nada além da escuridão
Quando vemos tudo que se deve ver
Tudo que a luz não nos deixa enxergar
Nada de ilusões se não se pode amar.

Não há ninguém para segurar a minha mão
Há muito que eu aprendi a caminhar
E caminho segura, como outra você não verá
Muito mais do que possa parecer.

Minhas pegadas não ficarão no chão
Não pretendo ser nada de irreal
Não espero ninguém para me salvar
Não exijo de ninguém a solidão

Eu tentava decifrar a minha vida
Saber de vez onde começa o meu lugar
Descobrir alguém em alguma parte
Estar de um jeito, e para sempre estar

Mas eu não posso- esse é meu destino
Fazer de um lugar, lugares mil
Ser sempre um mistério, não decifrar
Havendo chegado nas asas do vento
Ainda sem saber onde ele irá me levar.


Escrito por LuA às 23h15
[]




Nada se move mais

Já queimei o que foi escrito
Não posso mais voltar atrás
Já desmenti tudo que antes foi dito
E o passado não se move mais.

Quero tempo para mover o que passou
Este baú tão pesado em meu caminho
Quero ser somente aquilo que eu sou
Sem tristezas, sem saudades, sem espinhos.

Não precisa me dizer o que fazer
Se não sei, sozinha posso tentar.
E sempre que tenho vontade posso ser
Tão ruim quanto não pode imaginar.

Problemas não vão embora...
Não estou doente, doenças têm cura
Sonhos que tinha, não os tenho agora
Muito pouco me resta daquela amargura.


Escrito por LuA às 23h14
[]




Doze de junho

Eu poderia ter sido quem você imaginou
Eu poderia ter vivido o que você planejou
E alcançar todos os sonhos
Que você tocou
Eu poderia ter construído com você
O mundo do seu jeito
Mas eu precisava te mostrar
Que eu não estava numa moldura
Eu nunca seria o que você queria que eu fosse
Simplesmente por não querer
E não dizer tudo que você queria ouvir
Rasguei a tela que você pintou
Arranhei a moldura em que você me pôs
Eu não poderia ser nada além do que sou
As tintas que joguei
Misturei com a promessa que eu nunca pude fazer.
Quando eu sentia a brisa quente de verão
Vinda do mar para dentro de mim
Tanta gente ali ao redor
Eu não achava palavras para dizer
Que não era ali que eu deveria estar
E se me perguntasse qual seria esse lugar...
Eu não saberia te dizer
E quando você pensava
Que era a sua imagem que eu levava em meu olhar, aonde fosse
Eu sofria comigo, somente
Por tanto engano a te revelar
A dizer
Que eu não sou o riacho tranquilo
De águas claras que você olhou( nem ao menos tentou ver)
Não te deixei saber
Que o agito do oceano está em mim
Turbulento
Inconstante
Solitário
Permanente
Essa é a minha realidade
Foi assim que o tempo me ensinou a dizer,
A jurar para as minhas palavras
Que não se deve dizer o que não se poderá sentir
Se seremos sempre responsáveis
Por tudo aquilo que cativamos.


Escrito por LuA às 23h14
[]




dois mundos

Dois mundos existem
Nisso tudo que há
Um deles eu sinto, e só eu sinto
O outro é o que vejo.

Diante dos olhos um mundo conturbado
Atrás dos olhos estou desgastado
A ver tudo isto, olhos cansados...

Onde estou, onde estou
Quem tenha o dom de invadir o olhar
Estou no meu mundo, venha me buscar
Olhos que naufragam em lágrimas que não caem.

Meu mundo tão escondido
Tão esquecido
Como uma bagagem deixada na estação
A espera de alguém que o encontre
Esse mundo que encerro em minhas mãos
Se entre elas está algum rosto.

E neste outro tão grande que vejo
Quantos sorrisos, beijos, conversas
Desgraças, trapaças, vidas incertas

É neste: vou vivendo paralelamente
Passo o tempo e as vistas em coisas banais
Que a rumo nenhum podem me levar
Cujo fim já posso ver
Antes mesmo de começar.


Escrito por LuA às 23h12
[]




Se o medo me faz seguir

Eu estou presa dentro de sonhos
Com alguém a mais
Talvez seja cedo
Meu coração está ocupado de dúvidas...
Às vezes uma canção me desperta
No silêncio da noite
Eu fico a ouvir sem saber de onde vem
Nem o que pode me dizer
Se ela me dissesse o que fazer
Eu abriria as asas e aprenderia a voar
Eu buscaria qualquer coisa antes de tocar o céu
Saindo à noite em busca do sol
Do brilho da lua, qualquer luz
Que faça sentido, que me dê um sentido...
Dessa busca pelo meu destino, sem saber onde procurar
No caminho que encerre meu caminho
Na direção da curva que fará
Algum olhar irei encontrar
Na mesma direção comigo a buscar
Para só assim descobrir que o destino vai acontecendo
Enquanto o procuramos
E quando desisitimos, já ele aconteceu.
Poder olhar dentro de você
Quero olhar só para dentro de mim
O que há aqui dentro e dentro de você
É tudo que não mudará
Se eu pudesse fazer meu caminho
Eu nunca estaria desse jeito
E se quero ir embora
Volto pela força de tudo que não tem explicação
Volto para a escuridão
Eu não posso decidir
É o medo quem me faz seguir
E eu não desisto de nada
Se o mundo é tão grande para mim...
Nada me traz medo sem que eu não queira
Eu não esqueci, tudo o mais que eu gostaria...
Já faz tanto tempo, tão pouco tempo
E é o medo que me faz seguir...



Escrito por LuA às 23h10
[]




desencontros

Não me chame
Eu estou doente e cansada do seu rosto
Não me olhe
Nada vai tirar a minha paz de agora
Você pensou que eu seria
Uma espécie de melodramática
Neurótica por você
Você se enganou, a sorte virou
Hoje quem não me vê mais é você
Você se achava o bastante para me fazer sofrer
Isso não é tudo, isso nunca seria
Você tentava jogar, mas eu sempre venço
Porque eu já percorri esse caminho,
Sozinha
E você é muito pouco para me fazer sofrer
Eu desfrutava um passeio
Você estava em combate
Você sonhava estar acima
Acabou indo muito além, muito mais do que poderia
E eu não sou capaz de estar triste por você
Poucas pessoas neste mundo
Têm o direito de me magoar
Suas mãos estavam ao redor de mim,
Esqueceu-se de que eu não estava
É uma pena eu não estar triste
É uma pena que nem raiva eu te destine
É uma pena dizer que eu esqueço tão rápido,
Acho que eu já te disse isso,
Mas você se achava diferente
Como todos...
É ruim te dizer que nem sempre
Você será tudo que espera ser
O tempo passou
E você diz que hoje aprendeu
E eu te digo o que você aprendeu:
Aprendeu a jogar como eu
Não admite ter perdido esta
Seu orgulho não ama ninguém
Esta também é minha verdade
E o fato de que eu assumo isso
Não me torna pior do que você
Você não quer ouvir, mas eu preciso te dizer
Tanta hipocrisia ainda vai perder você.


Escrito por LuA às 23h07
[]




Na contramão

Já ficou muito escuro para ver
As palavras não se encontram a dizer
Coisas sem sentido, idéias
Que não chegam a acontecer
Sou um utopista que não se cansa
De bater à porta do paraíso
Já desisti de chamar
E abandonei minhas armas
Tudo o mais agora é simples
E simplesmente sem importância...
As nuvens escuras ainda avançam
Sobre a minha cabeça
A tempestade ameaça
Vou com ela aonde for
Buscar somente a vontade inútil
De a nada encontrar e a tudo entender
Antes mesmo de conhecer
E tudo que eu achei antes mesmo de ver
É o que me diz que posso buscar a verdade
Na contramão do mundo
Na contramão de todos
Desafiando mentes, aliada à minha razão
Sem desistir, sem ouvir
O que outros possam pensar
Eu vou sempre buscar, nunca vou me abater
Construir minha própria torre
Até o último andar, para tentar enxergar
O que poucos procuram, poucos podem ver
Escrava entre dois espelhos
Um do corpo, um da alma
As palavras tentam definir, aprisionando
Não quero adjetivos para o que devo ser
Mas ninguém poderá me deter
Se este mundo me faz sofrer
Em tudo que é hostil, que não suporto
Coisas com as quais não concordo
Modos como devo agir, apesar de não querer
Pessoas a quem não quero, mas devo fazer sofrer
Na contramão dessa estrada
E só me deixam pedras ao caminho
E faço delas uma ponte
Agora vejo que apesar de não saber
Onde tudo isso vai me levar
Você não será motivo de nada que eu faça
E sei que apesar de não conhecer o fim
Um pouco mais longe poderei chegar.



Escrito por LuA às 23h03
[]




Perdendo o controle

Perdendo o controle
Eu me liberto do extremo
Em que não tenho os pés no chão
Fugindo do controle
Por querer, por saber
Vontade não é suficiente para morrer
Para falar
Sobre nada e tudo, tudo de uma só vez
Eu não pareço melhor
Eu não estou melhor
Fugindo do controle
Sempre que a chuva cai
Corro a olhar a janela
Para estar com ela, para ir com ela
E fugir com ela, sair daqui
Perder o controle do que tenho que pensar
Eu não tento falar
Sabendo que ninguém há que me possa ouvir
Queria estar aqui
Ficar aqui
É tarde, tenho que ir
Tudo que faço é tentando fugir.


Escrito por LuA às 23h02
[]




Apesar de você

Se eu pudesse fugir e te levar comigo
Se eu pudesse alcançar o fim do sol contigo
Se eu pudesse mudar meu destino
Se eu pudesse não ser assim...

Se eu pudesse pensar que mudei você
Se eu pudesse tentar te amar
Eu estaria contigo noutro lugar
Talvez não tão longe quanto deve ser...

Se eu pudesse acreditar nessas palavras
Se eu pudesse achar a chave dessa trilha
E redescobrir esse caminho
Que começa agora...

Se eu pudesse não ver tudo tão real
Se eu fosse como todos, simplesmente normal...
Se eu não pensasse tanto
Se eu não vivesse tanto
Não temesse tanto
Se eu não me importasse tanto...

Se eu pudesse querer sofrer
Sem ter medo de viver
Alguma dor para me tirar
Dessa desdita de não sonhar...
De tanto sonhar
Não me deixo sonhar

Se eu pudesse te dizer como agir
Se eu pudesse te falar o que eu queria
Se eu pudesse saber o que eu queria...

Se eu pudesse fechar meus olhos
E acreditar somente no que você quer que eu veja
Se eu pudesse querer, apesar de você...
Apesar de você...




Escrito por LuA às 18h41
[]




Epílogo

Ainda está claro demais
Para eu poder abrir a janela
Daqui da penumbra do quarto
Posso ver aquele retrato
De olhos fechados, eu tento lembrar
A noite não tardará
Mas é ao entardecer que me entrego
Olhos perdidos neste abandono
Das luzes mistas multicores que se vão
Deixando qualquer encanto aqui sem importância nenhuma.
Só desperto a cada entardecer
E em cada um deles se reflete
A minha nostalgia de qualquer coisa
De todas as coisas que me escapam às mãos
Quando as peço que fique...
Qual o sentido de mover montanhas e pessoas
E percorrer estradas tão distantes daqui
Guardando a solidão que sempre tive
Enfrentei o perigo que não havia
E o medo guardei do que não tinha
Ao enxergar, apavorada
Tantas coisas que somente eu via.
Meu coração é forasteiro
Não se instala, chega já partindo
No silêncio de qualquer destino
Nos laços incertos de outras mãos
Se de tudo que vivi
Pudesse eu ser o que ficou
O que me resta é a lembrança
De que o universo me falhou
E a sensação do errado,
De tanto tempo passado sem resolução
De estar no lugar errado, na hora errada
Com as pessoas erradas
Sempre, sempre, sempre
Esse vício de em tudo pensar
Na tentativa de a tudo assimilar
Não aceitando a ínfima idéia
De que para muito não há compreensão.
Mas eu sou apenas um móvel
E é assim que me sinto,
No meio de contruções tão certas,
Pessoas certas, vidas certas...
E eu não posso estar parada pois
Eu serei sempre um móvel, condenado a não parar
Parar de que? De pensar, de tentar, de lembrar, de lutar...
Algum tipo de móvel...
E este passa por uma bela festa
E quanta vontade de ficar,
Mas ele está só de passagem.
E ele lembra que algum dia esteve
No cair da noite de uma praia distante
Mas estava com alguém, alguém móvel
Que deixou-lhe a praia tão deserta
E musgo do mar no seu olhar
Este móvel
Subiu as colinas, chegou até as montanhas
Coitado, achando que do mundo pudesse escapar!
Empenou a espada, quebrou-a
Até fatigar-se de tanto lutar
Viu cores em tantas coisas
E ninguém consigo para enxergar
No seu pranto tão contido sangrava o olhar
Coração nas garras, coração nas garras,
Esta águia não sabe mais voar.


Escrito por LuA às 08h14
[]




Eu vivo como quem está
Mais de quinze minutos atrasada
Eu vivo como um transeunte
Que caminha num fim de tarde
Só por caminhar...e toda sua certeza
É saber que não sabe onde chegar
Eu vivo a pressa e anseio
Querendo sempre ao mundo abarcar
Eu faço de tudo um passo de dança
Não tenho amanhã por que esperar:
O amanhã que me espere
Que espere...que tudo espere
Poruqe eu tenho pressa
E nessa pressa muito me interessa
Mas nada tanto assim
Eu vivo a fugacidade, a sutileza
Eu também vivo a futilidade
E posso ao orgulho louvar.
Eu vivo, eu jogo também
Sem dó, sem remorso, sem culpa
Com quem seja preciso jogar
Eu rio de quem me adore
E odeio quem quer que me ame
Eu tento ser resistente
E tento me distanciar
Eu tento ser sensível
Mas quero apenas jogar
Eu vivo, eu jogo, eu choro
Choro pela dor que não posso sentir
Choro com o ridículo e a insignificância
De minhas pequenas felicidades
Choro a saudade de tudo que não vi...
Eu vivo, eu jogo, eu choro, eu não sei
Eu não sei onde me encontro
Mas não estou perdida
Isto nada me importa agora
Me importa o relógio que não posso mudar
E tudo aquilo que não posso mudar...
Quisera mesmo é a tudo controlar.
Passei tanto tempo à procura de quem sou
Para decepcionar-me, hoje
Para descobrir, no fim de tudo
Que sou tudo que preciso ser
Já não quero a ninguém convencer
E agora vejo que não posso
Do tijolo fazer monumento
Nem do quintal fazer cidade.
Tudo que encontro, perco
E o que procuro, não acho...
Eu vivo, eu jogo, eu choro, eu rio,
Eu vivo a vida
Sem jeito, sem graça, sem modos, sem destino, sem parar, sem pensar(pensando), sem sentir(sentindo),sem mudar, sem voltar, sem sofrer, sem amar, sem ter por que esperar, sem lágrimas a derramar, sem problemas, sem soluções, sem palavras...
Eta vida besta meu Deus!


Escrito por lila às 07h21
[]




Com licença: a música da minha vida...

:
La vita è adesso( A vida é agora)
Renato Russo- equilíbrio distante

La vita è adesso nel vecchio albergo
Della terra e ognuno in una stanza e in una storia
Di matini più leggeri e cieli, smarginati di speranza
E di silenzi da ascoltare e ti sorprenderai a cantare
Ma non sai perché.

La vita è adesso nei pomeriggi appena freschi che ti viene
Sonno e le campane girano le nuvole e piove
Sui capelli e sopra e tavolini dei caffè all’aperto
E ti domandi incerto chi sei tu, sei tu...

Sei tu che spingi avanti il cuore, ed lavoro duro
Di essere uomo e non sapere cosa sarà il futuro
Sei tu, nel tempo che ci fa più grande e soli inmezzo al mondo
Com l’ansia di cercare insieme un bene più profondo.
E un altro che ti dia respiro e che si curvi verso te
Con una attesa di volerse di più senza capire cos’è
E tu che mi ricambi gli occhi in questo instante immenso
Sopra il rumore della gente, dimmi se questo ha um senso.

La vita è adesso nell’aria tenera di un dopocena e musi
Di bambini contro e vetri e i prati che si lisciano
Come gattini e stelle che si apicciano ai lampioni millioni
Mentre ti chiederai dove sei tu, sei tu...

Sei tu che porterai il tuo amore per cento e mile strade
Perchè non c’è mai fine al viaggio anche se un sogno cade
Sei tu che hai un vento nuovo tra le braccia mentre mi viene incontro
E imparerai che per morire ti basterà um tramonto.
In una gioia che fa male di più della malinconia
E in qualunque sera ti troverai non te buttare via

E non lasciare andare un giorno
Per ritovar te stesso,
Figlio di un cileo così bello,
Perchè la vita è adesso.


Escrito por lila às 05h58
[]




De tudo que sei
Pouco tenho de certezas
De tudo que falo
Pouco digo da verdade
E em tudo que vejo
Sempre deixo um pouco de mim.

Saber que pessoas que por mim passam na rua
Nunca mais tornarei a ver
Saber que talvez ainda não conheci
Quem já deveria estar aqui
E tantas pessoas
Que poderiam fazer parte da minha vida...

Saber tantos lugares,
Tantos que eu nunca verei
Vozes que jamais ouvirei
Ecoam em minha mente
Pegadas que eu não deixarei em algum lugar
Estão a me esperar.


Escrito por lila às 05h21
[]