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Há quanto tempo estou aqui...não posso medir. Não se contam em horas as viagens do meu pensamento. Não vejo o entardecer neste momento em que meus olhos não têm utilidade nenhuma.
Há quanto tempo estou assim...acho que eu mesma não posso responder. A melancolia instalou-se na minha vida como erva daninha que nasce de repente, e só tarde demais se percebe.
O que aconteceu, para que eu não ouvisse mais o balanço dos coqueiros e o assobio dos pardais? Que voz é essa que ecoa de dentro de mim me fazendo sentir que meus ouvidos são meros sensores maquinais?
A minha voz mudou de tom e as minhas mãos escrevem coisas sem sentido...ao meu olfato, nada mais resta que um odor fétrido de morte, que é como cheiram as nossas verdades.
O que aconteceu desde aquela tarde de estio em que eu sorria inconsequente...? não consigo lembrar, a memória se entorpece e é um bálsamo a idéia de olvidar.
As águas continuam seguindo em direção ao mar...e lá, no encontro de tudo:onde as águas começam a se misturar; no limiar entre o dia e a noite...começo a despertar.


Escrito por lila às 13h31
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Eu e minha amiga Júlia

Foi num início de ano confuso que começamos a nossa amizade. Tão desinteressante quanto era o nosso interesse de conhecer qualquer pessoa na escola. Em pouco tempo estávamos amigas: descobríamos a cada dia nosso ódio crescente pelas matérias...sofríamos terrivelmente ao observar o tempo que passava...tanto para viver...e tantas pessoas perdendo seu tempo numa escola... Nossas conversas se indentificavam a cada dia. Descobrimos então nosso grande problema: não havia problema, era o fim. Passamos a admirar o desafio da hipocrisia, a razão do subjetivo, do imaginário, o destino de todas as utopias...passamos a procurar o sentido do nascer, o problema do ser, a existencia do destino...nosso grupo havia aumentado: éramos um bando de pessoas que, com tantos caminhos, não sabiam aonde ir. Concordávamos com Shakspeare de que qualquer lugar serve. E em meio ao nosso vazio existencial na pergunta do por quê de qualquer pergunta, no frenesi da alegria banal, no sentimento do nada e do inútil, odiávamos Narciso e todo o lago podre de nossas mentes infames que julgavam-se entretidas em algo importante enquanto não tinham como justificar que a verdade era: não sabíamos verdade alguma. E enquanto o subjetivo extirpava nossas mentes, a vida corria, as notas afundavam relevadas pelo sentido do efêmero... Um belo dia estávamos muitas de nós reunidas... a pobre Júlia estava desconsolada: seu namorado a havia deixado por uma menina muito mais bonita... E como não soubéssemos o que fazer, o desvario era nossa única opção, alguém grita: “guerra à vaidade!!!” ...e assim, em sua casa, o que era para ser um encontro de amigas no fim de tarde tornou-se um protesto contra o mundo. Ana pediu que eu cortasse seus cabelos. E outras assim fizeram, talhando nossos cabelos desvairadamente- não tinha importância nenhuma- Começamos por extinguir qualquer maquiagem de nos, depois de toda a casa...e quando nenhum mero brinco existia... “guerra a narciso e à humanidade fétrida” ...quebramos então toooda a espelharia de sua casa...( era uma casa feita mais de espelhos que de qualquer coisa,era impossível resistir). Júlia, ainda mais irada, parecia matar os dois naqueles reflexos estardaçalhados...Mas o protesto instalou-se para sempre dentro de nós, àqueles cacos destruídos-percebemos- um dia se resumiria todo o sentido do belo...Uma semana depois fazíamos uma grande “vaquinha” para comprar novos espelhos para a mãe de Júlia( ela até achou interessante a iniciativa, mas sugeriu que da próxima vez, destruíssemos os espelhos de outro lugar que não a sua casa... decidimos tentar ao menos arranhar um pouco nossos espelhos internos).



Escrito por lila às 13h30
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Olhe, veja só aquela estrela...
Brilha tão forte na noite escura
Das nuvens negras de chuva
Livrou-se, para somente brilhar.

Tempestades haviam ao redor de si
Para longe foram levadas
E o céu agora límpido
É palco e é público
Pasmo ao seu esplendor.

E eu, que nunca fui estrela
A mim, que nuvens negras não vieram encobrir
A mim, que a tempestade não ousou ofuscar
Veja só,
Apaguei-me.


Escrito por lila às 13h11
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Nunca voltarei
Nunca voltarei porque nunca se volta.
O lugar é sempre outro
E tenho medo de partir.
Estava frio e escondi-me
Dentro de um porão escuro
Já não preciso sair dele
Veja, estou bem assim...
Pois se estou aqui, meu pensamento vive lá
Mas, se esteja lá
Meu pensamento, onde vai estar?
Irá aqui ficar? Ou, mais provável
Vagar, vagar, vagar
Cada dia mais e tão distante
Que não saberá como voltar
Estou no porão escuro...
Mais tarde pensarei em sair
Pois agora há só cansaço...
Essa mentira esconde a minha verdade.


Escrito por lila às 13h10
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Se com o passar dos anos
Todos desistem da vida
Talvez aí será a hora
De escrever um livro
Com a amargura a que não tenho direito
Assim como não tinham direito
As grandes mãos das penas do romantismo

Mas se então escreverei
Para demontsrar a conclusão
De que sou uma grande mentira
E são mentiras todas as palavras
E as que escrevo nesse poema
Até a que encerre o ponto final.


Escrito por lila às 13h10
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Avesso

Eu vivo em um dia que passou
Quero ainda o que neste senti
Não sonho: lembro, e aonde vou
Recuo, sabendo que devo seguir.

Das águas do rio me banham as passadas
Sigo nelas na balsa que afundou
E sinto a minha vista embalsamada
E minha pele o tempo já marcou.

Eu quero tudo que foi
Que nunca foi, que não é mais
Queima-me o sol que já se pôs,
Quero as flores que não colherei jamais.

De tudo, sou o tudo que fica
Sou o barco velho que na praia apodreceu
Vejo o fim que tudo me indica
Quero o canto do riso que já morreu.

E assim vou vivendo a mocidade
Nisto tudo tão velho e tão conciso
Até que a própria transitoriedade
Traga-me a idade do conformismo...



Escrito por lila às 21h27
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PROCURA-SE

Procuro por alguém
Que talvez nunca existirá
Alguém que, sem que eu fale
Possa já me escutar.

Que me arranque de vez a solidão
Mágoas que trago, que possa levar
Para tão longe...e possa também
Lágrimas que não caem enxugar.

Que habite comigo outro mundo
Que em todo instante eu possa querer
E qeu esteja longe, tão longe deste
Que já desisti de compreender.

Procuro um olhar que me faça sorrir
Que entenda, sem que eu precise dizer
Que sou menos do que imagina
E sou mais do que pode ver.

Que veja somente o que sou
Escura como a noite, clara como o dia
E ao rumo do infinito leve os meus olhos
Decaídos no abismo dessa angústia fria...

Mas, qual! O tempo passa sem esperança
E sinto a cada dia, a cada hora
Que o amor para mim é só lembrança
Pois ele chega, passa e vai embora...

Escrito por lila às 08h19
[]




Aqui está minha vida:
Esta estrada florida, de caminhos tortuosos
Sem fim, na direção do poente.
Aqui está minha alegria:
Este vento sempre passando
Que vai-se às vezes de repente.
Aqui está minha verdade:
Este atalho escondido, sombrio
Tão distante da estrada.
Aqui está meu destino:
Este albergue esquecido
Que tornou-se abrigo
De saudade abandonada.
Aqui está meu olhar:
Este lago legado ao caminho
Que ninguém ousou mergulhar.
Aqui está minha alma:
Este automóvel inconstante
Sozinho mas sempre avante
Sem saber onde chegar.


Escrito por lila às 17h25
[]




Sou a dama de branco
Em seu vestido reluzente
Que desce como um anjo do céu
Enchendo de luz a tua noite insone...
Te desperto...tua mente
Desbrava os sete véus que me recobrem
E por este enlace vim dos sonhos a buscar
Sou a diva da lua e da luz
Vestida de branco, perseguindo teu ser
Só para teus olhos guardei em mim
A paz do instante mais bonito
Sobre minha cabeça trago uma aura de ninfa,
De flores, que reluz como as estrelas
Sou a dama de branco que à noite inrompe teu sono
Te arrancando do abandono
Que por tanto tempo te deixei
Sou a luz casta que surge na tua noite insana
E se aproxima, para trazer
Com a luz do meu vestido, o dia
Sou a virgem do mar na escuma fria
E às tuas mãos impuras
Não as permito tocar-me
Minha alma é alva e a luz
Que trago deixo em teus olhos
E vou...de volta a meu sono
Sem dizer o quanto deste sonho
Fica em mim ao acordar.



Escrito por lila às 19h38
[]




Soneto

Veja quem vem, o vento...
De longe ele vem vindo
E de frio, curvada, estou indo
Soprando com ele um lamento.

Este vento, tão frio assim
Com meus cabelos brincando
E em meu rosto soprando
É o frio que faz em mim...

É um frio que está aqui...e sai
É o vento que esfria meu ser
E por meus olhos se vai

Ao longe ele está soprando
E a ilusão que tentava nascer
Consigo ele vai levando...



Escrito por lila às 18h23
[]




Ao longe o sol está se pondo
Atrás das últimas ondas que quebram
E minha alma, como um barco velho
Que apoderce numa praia deserta
Deserta, sozinha...
O cansaço de sentir dói muito mais
Do que qualquer ódio ou de sentir coisa alguma
A tua voz me chega como um chamado
Vindo do silêncio da vida
Levando-me a parte nenhuma.
Começo a ficar livre
E do barco que apodrece
Posso fazer-me navio
E posso da mentira fazer minha verdade
Mas não quero. Quero ver o entardecer
Assistir o envelhecer da minha alma
Aplaudindo enquanto ela se afoga
Perdida nos olhares, tantos olhares
Olhos que não vêem.
É hora de lançar fora os remos
E aportar este barco. Mas veja, ao longe...
Meu dia anoiteceu.


Escrito por lila às 18h14
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Vazio, vazio, vazio
É tudo que está aqui
É o que está aqui, em toda parte.
Minha alma tão distante
Não consigo trazê-la de volta...
Ela é uma lágrima tardia
Que esqueceu de cair
E agora não sabe como fazê-lo...
Mas onde me vejo agora
Eu, que tão forte me fiz
Para defender a minha fragilidade
Eu, que tão rude me feri
Para proteger-me de quem o faça
Não sei onde abandonei a espada
Com que lutava, com que lutei
Com o que luto agora? Já não sei
Contra a falta de vontade, talvez
Ou com a vontade de não sentir nada
Vazio, vazio, vazio...o vazio das ruas
Só os meus passos pelas calçadas
Sossego certo. Vidas certas.
Mas essa ventania que passou, tão forte
Levava consigo um pedido de mais nada...


Escrito por lila às 18h13
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Para mona, que perguntou como estou, aqui a vida é a mesma, minha alma segue dançando na pista da minha vida, que é a batida de um forró: agitada e meio vazia...beijos, saudades de vocês!!!

Escrito por lila às 18h13
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As palavras se esgotam na mente
Na mente, nos lábios, no peito...
Vontade de nada ouvir, de nada ver,
De nada mais ser.
O dia está tão lindo
Por que o dia está tão lindo?
O dia sorri...ele sorri de mim
Quando diante de mim se levanta,
Na varanda, ele sorri...
Sorri de minha tristeza
E de toda minha desdita que não sinto.
Já não sinto, não sinto nada
Não tenho mais forças para a intensidade
De tudo que sinto, de tudo que posso me dedicar a sentir
Meus sentimentos estão longe de mim
Como uma terra distante
E não tenho forças para buscá-los
Ao menos para encher esse vazio
Que é pior que a minha tristeza, a minha solidão
A tu, dia, que nasces tão bonito,
Vem trazer-me a alegria ou qualquer outra coisa
Porque ouvi dizer que trazes alegria
Ou diga-me ao menos quem é ela.


Escrito por lila às 18h12
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Pode me dizer um “oi”, por favor?
É que estou só, quero ouvir alguma voz.
Pode me trazer um copo de leite?
É que estou só, preciso ouvir passos pela casa...
Pode abrir a porta para mim, e me dizer onde ela está?
Eu não a vejo, e não sei como sair.
Como se sai desse albergue, que chamo solidão
E que tão bonito construí?
Feche a janela, estou com frio
E preciso ouvir algum ruído
O silêncio é escravo da loucura...
Minha alegria era um vaso
E quebrou.
Despedaçou-se do alto de uma janela florida
E alguém, da janela, a viu cair,
Mas nada pôde fazer...
Não precisa responder, deixe-me falar
Para esquecer o silêncio que vem me atormentar.



Escrito por lila às 18h12
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monólogo

Tenho vinte e um anos completos
Nesses dezessete de existência
Ao fazer dezoito, não sei...
Creio, cerca de trinta...
E aos vinte e um – pouco mais de cinquenta-
Estarei desistindo da vida.


Escrito por lila às 17h32
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chuva

Eu fecho os meus olhos e sinto a chuva que cai
O vento frio sopra no meu rosto
O céu, cinza, parece mais infinito, imenso
A paz que sinto não sei definir
A chuva que cai lava minha cidade
Leva a poeira do chão do asfalto
E depois, sinto o chewiro de terra molhada
Numa ruazinha de areia ou praça.
A chuva vai caindo, ninguém a deseja
Mas eu não quero que ela vá
No fim da tarde, aos poucos, junto com a luz...
Gosto da chuva da minha terra...
Gosto de quando ela vem sem avisar
Gosto dela fina, fraca ou forte
Quando é tão fria que faça meu nariz gelar
Lembro-me de meu casaco de lã cermelho
E do suéter que eu não gostava de usar
Porque eu gosto do frio, frio no olhar, frio na alma
Frio que chega de repente
E ninguém sabe quando vai passar
Gosto de ver meus sapatos molhados
E as rodas de minha bicicleta submersas
Na lama da rua esburacada...
Não sabe o que é chuva
Quem nunca se esbaldou nas “quedas-dágua” do telhado
Ou pulou o muro do vizinho só para aproveitar a bica...
Mas eu abro meus olhos e vejo um céu azul.
Um dia bonito. Bonito demais até...
Todos os dias são “bonitos” aqui...
Agosto aqui não é agosto de lá
A chuva por aqui não pensa em passar
Para lavar o chão ou pelo menos
Para trazer um pouco de solidão
Para algum filho dessa terra...


Escrito por lila às 17h31
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Estrada

Eu vou seguindo, eu vou seguindo nessa estrada sem fim
Eu vou morrendo nessa estrada que construíram para mim
O meu caminho eu não sei mas eu vou
Eu vou seguindo até onde ela vai me levar
Me levar, me guiar, sozinha estou, estou caindo
Caindo por dentro, ninguém pode ver
Não podem, não podem me socorrer
Eu vou plantando os meus espinhos
Estou seguindo meu caminho, arrancando as flores, eu vou
Albergues eu vejo, eu deixo, eu largo
Eu largo a tudo, não quero nada
Eu não quero ninguém, ninguém, nem a mim
Mas a estrada vai passando, correndo. Eu vejo
Aquela casa na colina, ali, não sei
Acho que ali deixei, e fiquei
Num olhar perdido de criança
Mas é que agora eu quero tão bem
Quero tão bem a todos os meus espinhos
Eu os colho, eu os guardo
Na mochila negra que viaja comigo
Viaja comigo em todas essas viagens
E nas viagens do meu pensamento
Mochila negra...guardas tanto!
Há um papel...uma foto que não vejo
E vejo:eu despedacei. Há um sorriso que não sinto
Mas, sinto: eu o apaguei. Lágrimas que enxuguei
Eu sei: eu as provoquei. No fundo dela...nã sei
Talvez...talvez ainda exista um olhar. Mas não
Já não consigo lembrar, e não, não, não
Já não pode me guiar.
Não quero seguir, eu quero parar
Eu quero cair, cair, sem levantar
Apagar o brilho desse meu olhar
Eu quero fugir sem sair do lugar
Que lugar? Meu lugar que são tantos
Que não é nenhum, que sou eu
Que ando e paro e não canso
Nessa estrada...olhe só, é setembro! É primavera
Tire essas flores do meu caminho, não tire
Já não sei se quero espinhos
Não sei quase nada...eu quero abraçar
E no silêncio de um abraço forte me sentir segura
Mas é à minha mochila que eu abraço
Minha mochila é negra, você não tem uma, não
Não quero nada mais. Ela guarda
Todos os horizontes que já pude ver
Que já guardei no meu olhar
Tantas estradas distantes que tenho para contar
Para lembrar vidas que vi viverem sem pensar
Sem pensar, só viver, eu pensava, eu queria...
Como eu queria ser assim também. Viajantes...
Esses rostos rudes eu vejo e admiro e me despeço
Adeus a vocês que vivem e basta, a vocês
Adeus, vocês é que sabem viver,viajantes pobres da estrada
Adeus a tudo que por minha vida passa
Passa, tudo passa, todos passam. Todo horizonte...
Estou seguindo. Estou contente, na minha estrada
Porque estou de passagem, como os viajantes...
Estou de passagem nessa cidade, nos olhares,
Estou de passagem no coração dessas pessoas.


Escrito por lila às 06h19
[]




Canção do meu exílio

Minha terra tem a chuva
Que não encontro eu por cá
As vozes que aqui te cantam
Não me encantam como lá

Nosso céu é mais anil
Nossos olhos têm mais cores
Nossas vidas têm mais vida
Nosso peito mais amores

Minha terra é minha gente
Que caminha pelo mar
Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá.




Escrito por lila às 20h01
[]




depressão

Saí da minha terra. Deixei o meu mundo
Caí num abismo sem fundo.


Escrito por lila às 19h58
[]




hoje eu quero a poesia

Hoje eu quero a poesia
Já cansei de reclamar
Quero ouvir a melodia
Que se canta no falar

Hoje quero a emoção
Dizer a alguém que posso amar
Deixar levar meu coração
E não saber se vai voltar

Hoje eu quero acordar
Levantar com pés da ilusão
Abrir a janela do meu olhar
E jogar lá fora essa solidão

Hoje eu quero ouvir, falar
Tudo que quero e que sempre quis
Tudo que sonho e dizer o quanto
Me sinto e mais posso ser feliz

Hoje eu quero ao sol me queimar
Um sol incerto como o de inverno
E ser criança, me deixar levar
Por um olhar e um sorriso terno

Hoje eu quero ouvir de alguém:te amo
E voar bem longe, tão longe daqui
Estar perdida sabendo o caminho
Sem querer mais ter para onde ir

Hoje é um dia como outro qualquer
E sou alguém tão comum e normal
Que ama e desama e onde estiver
Será para sempre, como outros, igual.



Escrito por lila às 19h56
[]




dove sei tu

Dove sei tu adesso?
Dove sei tu, come stai?
Il amore que ti guardo
La distanze enormi solo fanno crescere
Sta nostalgia che non me lascia mai...
Ma guardo il suogno e è la speranza la mia cumpagna
Se il tuo sorriso solo tra le lacrime...
Perché resta nel cuore sta nostalgia
Che non s’è nel tempo?
Fragile è il nostro amore
E più forte nostra dolore.

E ricordo lá dove non vorrei...
Il tuo mondo, la tua casa
Che ancora, dove stará?
Le memorie poi s’increspano
Per ricordare a te
E me sembra quase um’eternitá
Il tempo che non te guardo io...
Ma non credo che mi pense anche um minuto
Ma io sempre te saluto.

Ricordi quando stai com me in qualcuno albergo
Si colora della vita che gli daí sempre
Se te lascio adesso
È per non sofrire più per te
Solo per non sofrire perché
È senza fine la mia dolore
Perché sta amara malatia che me consuma il cuore
Nun me fa campá!
È l’inquietudine di vivere sta freva
Che me cambia, che me cambierá
Ma ti prego aspettami perché
Vuoi turná du te in um giorno
Quando la dolore s’è ne andato
Quando solo guarde io pace e serenitá.

Passerá la solitudine e il mio pianto
E sta ilusione che sono inguanni
Passerá la dolore che non hai
E la pena che non me lascia mai
E domani te vuoi abbracciá...

Te vuole tutto il benne
Te voglio benne assaie
Ti prego solo adesso dime
Dove sei? Come stai?


Escrito por lila às 19h55
[]




Prima rica, prima pobre

Não sei se rimo ou se escrevo
Não sei se chego ou se vou
E se me vejo e não vejo
Já não sei mais onde estou

Não sei se rimo ou se é rima
Não sei se é plebe ou é nobre
E já não sei o que busco:
A rima rica ou a rima pobre

Se eu procuro a prima pobre
O que ela pode me dizer?
Eu não encontro a prima nobre
E já não sei como fazer

Confusas e mistas por entre um véu
As duas primas alegres conversam
Eu as procuro para o meu papel
Mais logo que as vejo se dispersam

Não sei se é rica ou se é pobre
Não sei se é risco ou se é febre
A rima rica é tão plebe
A rima pobre é tão nobre!



Escrito por lila às 19h47
[]




AMARÉ

O amor é digno de quem o escarnece
De quem o submete e o espanta
De quem o foge e não se encanta
Enfim, de quem não o conhece

Sonha um dia um amor tão santo
Quem não o conhece, que nunca o sentiu
Que todo romance lhe parece vil
E desaparece como por encanto.

O amor, só o merece o ser
Que na vida diz que não o achará
Mas na verdade nunca deixará de amar
Mesmo que amor não possa conhecer.


O ser que ama, ama com verdade
Não acredita no amor de ninguém
Não achou jamais no mundo, em alguém
O amor que guarda na sua saudade.


E se viu e quase acredita
Maior é seu medo ou tenta este ser
Do amor ilusão que possa morrer
E que traga apenas a crua desdita.


Abominemos o amor, subestimemos à razão
Lutemos contra todo arroubo de mentira
Pois o amor que apenas uma vez sentira
Agora quer voltar ao coração.

Eu luto, quase perco, mas não desisto
Fique o amor desacreditado e dolorido
Para que um dia, fatigado e abatido
Possa eu dizer: já não resisto!


Escrito por lila às 19h45
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"EU TENHO PRESSA E TANTA COISA ME INTERESSA, MAS NADA TANTO ASSIM."

Escrito por lila às 11h31
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O dom da palavra

De passagem pela despensa, sem querer, paro o olhar numa caixinha. Leio "sem ler" e depois me pergunto o sentido daquela frase: "UM TOQUE DE CARINHO floral"...Alguém pode me dizer o que leva uma pessoa a pôr uma frase dessas num produto que não é, nada mais nada menos, que pastilhas sanitárias. Isso mesmo, pastilhas sanitárias.
A publicidade tem abusado das palavras. O que poderia significar "um toque de carinho floral" na decisão de um consumidor levar ou não esta ou aquela pastilha sanitária? Existe alguma lei que proíba a exploração das palavras? Não. Por isso nós também abusamos delas.
Quantas pessoas já lhe fizeram sofrer por abusarem do poder de uma palavra? E você, quantas vezes valeu-se da palavra verdade para esconder suas mentiras? A quantas pessoas também fizemos sofrer em nossas vidas enquanto experimentávamos o efeito devastador das palavras?
Sou uma típica desconfiada. Algumas pessoas sabem o quanto me custa acreditar no sentimento que vem pelo sopro de uma voz. Possa ser que eu erre, assim, mas, já diz a frase "melhor pecar pela falta do que pelo excesso" (acho que a frase diz o inverso, mas essa é a minha versão). O que isso tem a ver? O excesso é a ilusão, a falta é a visão crua da realidade - o que, sem dúvida, também machuca um pouco.
Mas se todos buscássemos só a verdade, seria mais fácil encontrá-la, não assistiríamos o sofrimento causado a cada instante por palavras exploradas e usadas indevidamente, e não veríamos, sem dúvida, palavras tão importantes estampadas na logomarca de uma pastilha sanitária.

Escrito por lila às 11h30
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"T-eatro dos V-ampiros"

-Não, definitivamente, não.
Não gosto, não consigo ver televisão. À exceção de um ou outro noticiário, o resto, por mim poderia falir, ou tomar outro destino menos interessante. Se levarmos em conta tantas horas que tantas pessoas deixam de viver quando estão à frente dela, então, acharíamos melhor que ela não existisse.
Enquanto você vêtelevisão, assistindo o desenrolar emocionante de um romance que se repete há cinquenta anos na tv brasileira, mudando apenas de horário, título e personagens; enquanto você se comove diante do apelo sensacionalista do apresentador que ganha a vida a custo da sensibilidade dos outros com a pobreza alheia; enquanto você acompanha ao vivo uma emocionante perseguição policial; enquanto você assiste, pasmo, o desrespeito aos direitos humanos promovido pela tv que invade barracos e vidas humildes para filmar a estupefação de famílias, de alguém que teve o irmão morto a facadas no bar ou um vizinho descoberto traficante; enquanto você aplaude a vida vazia e brilhante de todos aqueles artistas inúteis; enquanto você elogia, durante o jantar, a incrível programação da sua emissora preferida,
a vida vai passando, todos eles estão vivendo- e, ainda, às suas custas- mas você está entretido demais com o fim fantástico da novela para perceber que o programado é você.




Escrito por lila às 11h18
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Ibope

Definitivamente, o que todos queremos é atenção. O que nos difere, então, da criança mimada que se julga centro do universo? Não tem jeito, não há como negar: o mínimo de atenção, é o que procuramos em quase tudo que fazemos. Quer ver?
Quando cocê acorda de manhã e sai cantarolando pela casa, não imagina que assim, alguém irá olhar para você?
Quando para no meio da rua para falar com um amigo e ouve buzinas atrás de si, não se sente irado e orgulhoso, do tipo que diz um palavrão ou "agora é que vou demorar mesmo" ?
Quando você (mulheres) sobe num salto, e se sente pronta para conquistar o mundo, se conforma em voltar para casa sem ter ouvido ao menos um "você está maravilhosa"?
Não se sente contente em perceber que, mesmo discretamente, é o "cabeça" do seu ciclo de amizades?
As gargalhadas de seus amigos causadas por uma piadinha sua não lhe deixam uma estranha satisfação?
Quando seu trabalho é elogiado dentre todos os da escola, da empresa ou mesmo da casa, não fica feliz?
Não será então que, de crianças mimadas, crescemos e mudamos apenas a forma de chamar a nós toda a atenção possível?
Não será isso que estimula ainda mais adoença chamada vaidade que só faz aumentar em nossa sociedade, causando satisfação pessoal aos privilegiados (ou aos que buscaram ser), e depressões e frustrações de todo tipo para os menos favorecidos da natureza?
O elogio não será, então, uma das maiores prespectivas humanas?
Não começamos a amar alguém pelo fato de amar nesse alguém o que este alguém ama em nós? Ou despertamos paixões insuportavelmente fortes com o profundo intuito de descobrir até que ponto podemos significar para aquela pessoa?
Será a opinião alheia a norteadora, em maior ou menor grau, de todos os destinos?
Mas da opinião alheia também nós, inseguros, fazemos parte. Então, que diferença pode significar a opinião insegura do outro pela nossa opinião insegura?
Será certa essa nossa mania de achar que o outro sempre tem mais razão?
Se não for para buscar compreensão, ou mesmo um pouco de atenção, para que escrevo eu agora?

Não tem jeito, queremos ibope.

Escrito por lila às 11h08
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O olhar que me condena

É sábado. Estou pronta para sair. Como sempre, costumo me arrumar ouvindo som(geralmente forró, para ir entrando no clima do sábado). Hora de ir, vou desligar o som. De repente meus olhos param acima dele, é um retrato. Uma menina de sete anos, olhar grave, não sorri. Tão certo é aquele retrato que mais parece uma pintura, não uma foto. E tão certo que, vejo, nem parece que sou eu. Isto mesmo, sou eu. Nessa hora eu me pergunto...que pensamentos formavam o meu mundo nesse dia? O que, ali, ela(ou eu) via para o meu futuro? Poderia ela imaginar o rumo que minha vida tomaria? Menina ingênua com medo da vida, você não sou eu. Simplesmente porque hoje não somos o que outrora planejamos ser, e( hoje vi) que não fomos o que hoje desejamos ter sido. Seu olhar me reprova "-Que fizeste de mim?" Eu... nada posso lhe dizer, não sei o que lhe explicar...Desligo o som e saio, alegre, para festejar.

Escrito por lila às 10h48
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Capitalismo

-Papai!Papai! Achei uma nota de dez reais!
-Mesmo meu filho?! Que sorte! Onde achou?
-Na sua carteira!
Ele ganhou a nota, pela criatividade.

-Papai, é verdade que o dólar é a moeda dos americanos e que ela vale mais que o real?
-É sim meu filho! Nossa, como você está inteligente! Que bom que está aprendendo coisas boas!
-É que agora quero minha mesada em dólar.
(Na minha opinião, ele também merecia).

Escrito por lila às 10h38
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A vida tão cheia parece vazia. Nas ruas ruídos, risadas, passos pelas calçadas. Estou cercada de gente e me vejo naufragar numa ilha perdida, escura e triste, como réu condenado e exilado...Estarei mesmo sozinha?
Pessoas passam distraídas, ocupadas: sua vida vazia é tão cheia! E minha vida tão cheia procura seu rumo. Ninguém compreende, ninguém vê, porque não há o que compreender, talvez nem eu mesma não saiba o porquê, o que sou, o que choro, o que faz-me sofrer. Tudo se consola numa ferida viva, num coração sangrando que sabe de tudo e que nada vê, que sofre em silêncio sem saber o porquê. Não há motivo, devo saber, devo esperar e me alegrar: esse tempo que é motivo de sofrimento, também é motivo de esperança, o que o transforma à nossa lembrança o nosso querido e melhor inimigo.


Escrito por lila às 09h24
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Vale das sombras

A lua foge e me zomba
Com ela não posso ir
Caminho no vale da sombra
No vale da sombra da morte
No abismo do nada tão forte
Que arrebata a luz de um velho anseio
Arrebata à vida o desejo de viver.

-Caminhas no vale do silêncio enlouquecedor
Aqui, ruído qualquer já não há.
Teu vale de sombra é tua vida,
Teu caminho que não deu certo
Por aqui não há ruído:
O grito que tens terás de calar.

Agora o sol, gélido, é quase findo
Não o posso ver, não sei se por aqui está
Olho as minhas mãos...tudo é enevoado, confuso...
O frio é inimaginável, mas não chove
E a lua foge e me zomba
Com ela não posso ir
Deixe-me acordar.


Escrito por lila às 08h54
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Medo

Havia um tempo em que eu desconhecia a solidão
Pois o medo sempre estava comigo, mas agora
Ele já se foi e eu estou só.

Havia um tempo em que eu tinha medo da escuridão
Poi ela se parecia comigo, mas agora
Juntas nos confundimos e eu
Me sinto à vontade com ela.

Havia um tempo em que eu tinha medo do sono
Pois ele me levava sem permitir que eu voltasse, mas agora
Nós lutamos e quase sempre consigo vencê-lo.

Havia um tempo em que eu tinha medo do fogo
Ele era traiçoeiro demais...mas agora
Ele não deixou de ser, eu aprendi a ser como ele.

Havia um tempo em que eu tinha medo da água
Ela era asfixiante e me levava,mas agora
Já cansei de me afogar.

Havia um tempo em que eu tinha medo do olhar
Quase todos os olhares me incomodavam, mas agora
Eu aprendi a procurar a chave de cada um.

Havia um tempo em que eu amava o ar
Pois ele sempre me faltava, mas agora
Ele me pertence como a qualquer outra pessoa.

Havia um tempo em que eu tinha medo da vida
Pois ela era muito complicada, mas agora
Eu aprendi a ser como ela.

Havia um tempo, e esse tempo é o hoje
Em que nada disso mudou
Todos os meus medos persistem, mas agora
Eu aprendi a escondê-los.


Escrito por lila às 08h51
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Solidão


Há um vazio enorme dentro de mim
Que se avoluma a cada dia - ou esvazia
E que resolvi chamar de solidão.

Não há lugar algum a que eu pertença
-Como é difícil esta idéia!
Eu levei toda a minha vida procurando este lugar
(Toda a minha vida a não querer enxergar
que ele nunca existiu).


Escrito por lila às 07h50
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Não, definitivamente este contador está quebrado!

Escrito por lila às 07h36
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Palavras à amiga...

“A angústia nunca nos fará maior
Do que aquilo que realmente somos
A melancolia é viciosa:
Nos faz grandes a nós mesmos
Mas pequenos aos outros.
Isso também passa.
E não há ninguém mais diferente do que aquele
Que sabiamente entendeu
Que ser comum é a coisa mais diferente que existe.”


Escrito por lila às 07h35
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É mais ou menos como fazia o Curt Cobain... você se sente culpado pelas desgraças do mundo, ou se acha um mero produto, “o que o mundo me tornou”. É o que tenho notado em algumas pessoas que me disseram que não se sentem à vontade para sorrir, porque sabe que naquele momento existem milhões de pessoas sofrendo. Eu sou de opinião que mesmo sofrendo essa pessoa não se importaria que você fosse feliz mas...você vai talvez dizer que sou insensível, mas penso assim...
Eu te conto de quando eu fui criança, uma coisa que provavelmente já aconteceu com você: você lanchou uma coisinha à tarde e se sente totalmente sem apetite para o jantar. Você olha aquele prato à sua frente e se sente imensamente culpado, porque enquanto você tem toda aquela comida à sua frente, milhões de pessoas morrem de fome( você já passou por isso? Pois é, fui uma criança sensível). Mas aí eu pergunto, o que você faz nessa hora, em que seu estômago está cheio mas a comida te espera?
Das duas, uma: ou você vai comer aquilo tudo para não se sentir culpado, acaba vomitando por não aguentar, e se sente mais culpado ainda....ou você simplesmente vai percebre que aquele seu prato de comida não é o bastante para matar a fome daqueles milhões...


Escrito por lila às 07h26
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O dia

Já que estamos falando de velharia..aí vai mais outra de 3 anos nas costas..
Eis que vislumbro a luz...
Aurora do novo dia
Que fazes aí a chorar?
Não és o dia que inicia
Transpondo seu limiar?
Manhã da minha vida
Onde estás tu agora?
Por que deixaste – me? Volta!
Não ensinaste–me tudo,
Ainda preciso de ti!
Por que nada disseste da vida?
Raio de minha aurora
Tu, que não voltarás
Diz-me onde perdi
A felicidade de outrora...
E em teus braços eu dançava sorrindo
Em teus ombros se debruçavam meus sonhos...
Por que se foi assim, sem dizer:
“-É necessário a ti crescer”?

A calma tarde da vida deixaste
A tardinha de minha vida
A acalentar meus anseios
A agitar-se, incontinenti,
Pelo dia que crescia
Mas o crepúsculo veio e ela se foi
E não me disse se voltava depois.

E me vi na escuridão.
Tive medo...
Mas recebi entre as trevas da noite
Uma estrela pequenina e incandescente
Era tão pequena em meio às trevas...
Mas passei a amar aquele raio na escuridão
Mas que toda a claridade da aurora
Mais que minha própria vida
E me via feliz como antes.
Aquela estrela me bastava
E comigo corria pelos campos de lavanda
A contar as colinas distantes...
Levá-la? Por que?
Não, não podes! Já não sei viver só!
Mas as minhas palavras daquela hora
Foram levadas pelo vento
E a luz da minha vida, como encanto, se apagou
Eu a perdi na estrada.

Por que a levaste de mim, naquele dia?
Será que ficar não mais podia?
Comigo então não mais estaria...
Tanta gente ao redor
Mas me sinto tão só!
Só... na escuridão da noite...
E caminho pela estrada
Em que não quero mais passar
A vejo... (não, não vejo)
Não me reconheces? Espera, não te vás!
Por Deus, volta! Onde estás?

Estou só, estou só
Transpondo os abismos
Do amor e da loucura
Ó noite, libertai-me da amargura
Pois que eu ignorava que viver é sofrer.

O tempo passa, veloz
É ele hoje meu algoz
Que me leva aos poucos a esperança
Eu recordo as velhas tardes de estio
Um dia, mais outro...que não voltará
Da aurora distante, a paz esquecida
Clamo, choro, chamo, ninguém me escuta
Estou fraca, preciso de ajuda!
Alguém...? Por que não me vês?
Em mim está tudo, não vês em meus olhos?

Hoje já não sei o que pensar
Não há mais o que fazer
A dor em mim acostumou-se...
Esperar? Esperarei
A noite é longa, bem o sei
Mas há de passar, tem de passar
E o limiar de um novo tempo
Para mim, então, ressurgirá.



Escrito por lila às 06h46
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Meu recanto de solidão

Desenterrei umas poesias minhas de tempão atrás, nem lembrava mais que existia, tem bem uns três anos essa aí...

Sim, é lá,
Lembro-me, agora sim
É lá que ainda está tudo
E tudo ficou em mim.

Foi lá que ficou nossa rosa
Que morreu mas sempre nascerá
Foi lá que enfim sorri
Quando encontrei esse olhar.

Onde estás? Não te vejo...
Por que te demoras tanto?
Estás ainda no recanto
Da paz do passado sem fim?

De que parte desse manto
Recamado e sintilante
Inda velas por mim?

Por lá correram muitas águas
-Todas diversas a cada segundo
Foi lá que cresceu e viveu
Meu pequeno grande mundo.

Como será que vive agora
O meu recanto de cantos de paz?
Estará sozinho por hora
Ou quem sabe se talvez jaz

Sob os pés de cimento de alguma cidade...
Viverá tão somente na minha saudade
Viverá como eu na imersa solidão

Que por fora é cidade de gentes e mundos
Que esconde por dentro um recanto profundo
De um abismo sem fundo em um coração.

Vivo de sonhos? Talvez...
Vivo se sonhos então
Estar sonhando pra sempre e acordar novamente
No meu recanto de solidão.


Escrito por lila às 06h44
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>>Ar<<

Quanto mais se enche a minha vida
Mais aumenta esse vazio que me persegue
Sou alguém que tenta prender o ar com as mãos
E não consegue entender porque ele se vai
Ele se vai
Porque ele não está aqui
Porque ele está aqui e em parte alguma.


Escrito por lila às 06h42
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Caminho

O meu caminho não é o que parecia ser
A minha lei não é a lei
E a minha luta não é esforço
A minha dor não é meu orgulho
O meu amor já não é o meu mundo
Mas o meu medo fez-me profundo.


Escrito por lila às 06h41
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Hoje...

Hoje eu não vou até a sala. Não chamei nenhuma dessas visitas. Estou cansada de buscar um olhar mais agradável para não causar a má impressão desse ar de tédio a que estou acostumada. Seria possível alguém viver sem fingir?
Hoje eu não quero sair. Quero viajar numa estória fascinante de alguém que nunca existiu – e só por isso é que nunca fingiu. Não quero me levantar. Aqui sou apenas eu mesma, descalça. Aqui não preciso perceber que de vez em quando baixo a cabeça. Porque aqui não há olhares para desviar, e não tenho que calcular minhas palavras ou o tom da minha voz. Aqui estou eu: cabelo despenteado, óculos no rosto, caneta na mão.
Aqui não preciso sentar-me direito nem passar a noite inteira ouvindo comentários sobre a vida de alguém que conheço, e não conheço, e na verdade ninguém conhece. Aqui me sinto à vontade com este pedaço de papel e não preciso de qualquer lógica para o que escrevo. Aqui não me sinto inebriada por perfumes que exalam toda a futilidade da alma de seus donos.
Aqui não há situações que me impedem, pela maioria, de falar o que eu realmente acho de tudo, de falar que eu realmente não estaria aqui se pudesse escolher. Que não gostairia de ter chegado sorrindo ao fim de tantas milhas que viajei sobre espinhos, pelo medo de estar só, pelo medo de mais uma vez começar do zero. Aqui não há mil pessoas – infelizmente conhecidas – pelas quais eu tenho que distribuir sorrisos que não têm razão de acontecer. Porque hoje é um dia como todos os outros. Hoje eu sou eu mesma. A mesma que – para mim ou não - sempre fui. Aqui eu estou exatamente como queria estar agora.
Mas este “aqui” é a minha cabeça. Fora dela não estou à vontade. Não compreendo o fato de que deixando de lado a maquiagem de uma noite, poderia colocar abaixo tudo que sou. Como posso então te provar que eu não sou o que você vê? Eu não posso, a natureza está contra mim! Foi ela quem determinou os cinco sentidos – cabe a nós o dom de invadir o olhar.


Escrito por lila às 06h39
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Fuga

Eu abro uma janela e corro
Eu não saio pela porta
Não sei onde estou indo
Só sei que devo sair rápido daqui.
Eu olho ao meu redor e tudo que procuro
É uma folha em branco escondida no meio
De um caderno velho que ninguém mais veja
Que ninguém veja, que ninguém me veja...
Eu não saio pela porta, eu não sou como você
E não me olhe pois não gosto do seu olhar
Ele tenta me prender mas eu tenho que fugir
Eu abro a janela e saio, eu corro
E você não entende...
Você não pode entender
Você tenta e quase consegue, mas não
Eu não posso ser assim, não posso
E você já não pode entender
Pois eu não vou deixar
Eu sou mais forte pos eu tenho que ser.


Escrito por lila às 06h33
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Dia mundial da dúvida

Por que continuo chamando
Se ninguém me escuta?
Por que você olha pra mim
Se não pode me ver?
Por que é assim que tem que ser?
Por que prefiro ser rude comigo para que outros não sejam?
Por que sou tão egoísta
Pensando somente o que quero pensar
E lembrando somente o que quero lembrar?
Tanta gente ao redor
Por que insito em me sentir tão só?
Por que insito em procurar a entrada
Do caminho escuro escondido
Nessa estrada florida que planejaram pra mim?
Por que já calei minha voz?
Por que não sei mais gritar?
Por que já não sei chorar?
Por que já não me sinto sofrer?
Por que pesam sobre meus braços
Essas correntes invisíveis, que ninguém nunca notou
E das quais nunca pude me libertar?
Por que naquele dia a correnteza me escolheu?
Por que tanta gente tenta se maior
Do que realmente pode ser?
O que nos torna diferentes?
Não é nada mais do que o fato
De que queremos ser diferentes.


Escrito por lila às 06h29
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Lembranças de férias...

Ainda não tive oportunidade de contar a todo mundo as "aventuras numa terra distante" chamada Acaraú,que passei nas férias. Ontem estive lembrando uma coisinha muito interessante.A primeira vez que visitei o Açude da Prata fui com a Roberta, uma amiga minha daqui,e sua família que tinha vindo de São Paulo.Estávamos no fim da tarde tomando água de coco quando de repente:-cooore "meu povo",lá vem a vaca! e corremos todos para dentro da casa, nunca pensei
que pudesse ser atacada por uma vaca.No outro dia estávamos no aniversário da Jéssica,mas ela deixou de ser o centro das atenções de sua festa para dar lugar a um touro(oi boi,não sei a diferença)que estava solto na rua.Esse sim,não só pensei ser atacada como também destruída...era realmente enorme.Aí vem alguém que grita: -cooorre "meu povo",fecha o portão senão o touro entra(com chifres,lombos,birras e tudo).Mas para quem pensa que depois do ocorrido, estava eu a salvo da ameaça bovina, eis que estávamos em outro dia a caminho do Açude das Piranhas,debaixo de um sol infernal,num caminho estreito fechado por cercas de arame por todos os nossos lados.E vejo...não, não é trauma,eu vejo,e essa é minha vez:" COORRE MEU POVO,QUE AGORA VEM A BOIADA INTEIRA!!"

PS:sobrevivemos todos

Escrito por lila às 11h21
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Labirinto de palavras(entenda quem puder)

Eu abro meus olhos e vejo meu mundo enevoado como em todos os dias.Esse mundo é abstrato e faz frio,eu sinto.E sinto o furor de cada instante em que vivo mergulhada nessas trevas,confusos caminhos de minha mente,como um labirinto que percorro em que não há como chegar.Eu não sei como chegar,espero que alguém aparecça nesse mundo solitário para me ajudar.Há um grito que não sei se devo soltar,há uma fronteira tão sutil entre o falar e o calar,entre agir e esperar,que não sei explicar.Eu nunca sei explicar eu tento e não consigo e me contento,eu não quero mais isso,hoje eu sei o que preciso,o que não sei é se consigo,fecho os olhos e me vejo diante de você.Eu mapeio a sua mente,eu encontro o que sente,ninguém pode perceber,nem você.Eu te digo o que você quer ouvir, eu já estou onde você quer ir,eu invento o sentimento,e enceno o teu momento mas ninguém pode perceber -nem você.Eu sempre sei o que dizer,o que não sei é se devo nem como devo dizer.E digo que não preciso,mas quero e já nem ligo se não sei quem é você.Há coisas que não sei explicar,há muito que não aprendi a dizer, há outras que não posso entender,uma delas é você.Já cansei de ser banal, já tentei ser imortal,eu não mostro sentimento -é,eu nem sinto- pois não posso dizer.Eu não posso dizer,eu preciso me esconder,eu reinvento a minha história,e renego a memória.Eu te encontro e te largo,eu te perco e te trago.Você me entorpece e eu te confundo.Você me confunde e eu te enlouqueço.Eu sou instável.


Escrito por lila às 10h05
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O tempo

Às vezes(ou melhor,ultimamente) tenho sentido que o dia é realmente,sinceramente,absolutamente curto.Muito menor do que eu desejava que fosse.De quantas horas eu preciso para fazer tudo o que tenho vontade (e tudo o mais que devo) durante o dia? Como é que alguém simplesmente não tem tempo de sobra? Horas vagas...não sei o que é isso!Que eu vivo a vida como quem está quinze minutos atrasada, não é novidade para ninguém,mas serão só quinze minutos?
A primeira coisa que me vem na cabeça ao acordar às seis é: viver é melhor que sonhar.Mas eu também tenho que sonhar!Sonhar dormindo, mesmo porque acordada, aí é que não há tempo mesmo...Todos dizem que precisamos de oito horas de sono por dia,só restam então dezesseis!Isso sem contar o fato de que oito horas por noite não bastam, pois se bastassem, eu não teria tantas olheiras!Essas sim, são injustamente atribuídas a alguém que dorme de nove às seis!Preciso arranjar horas vagas para dormir.Preciso arranjar horas vagas para ler livros,muitos,nossa,existem tantos!Devia ser proibido.Preciso de horas vagas para estudar,aprender um pouco de tudo que detesto. Ah,horas vagas também serviriam para orgainzar o armário,lavar um tênis,arrumar o quarto,para escrever...
E é aí que chega o sábado à noite e descubro que há uma festa,que irá comprimir todo o meu domingo de sono e espremer os meus horários da semana inteira e minhas utópicas horas vagas, e é nessa hora que...ah, que se danem as horas vagas.


Escrito por lila às 09h12
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Eu, com sono

Ai que tédio.Que tédio da vida.Cansei de viver, dá muito trabalho.Meus olhos estão cansados, cansados estão meus ouvidos das músicas que ainda não ouvi. Estou cansada de acordar,comer,andar,ler,sair,sorrir,dormir...para no outro dia acordar,comer,andar,ler,sair,sorrir,dormir. Me cansam os ares que não respirei. Me cansam as estradas por onde não passei. Me cansa o quarto que tenho que arrumar: está tudo fora do lugar! Tudo está no lugar errado, eu estou no lugar errado. Esse quarto não é meu, essas coisas não são minhas, esse corpo não sou eu. Mas preciso arrumar essas gavetas para tentar arrumar minha cabeça. Mas estou cansada de orgainzar minha vida.
Estou cansada de estar aqui, mas não o bastante para sair.Estou cansada de viver, mas morrer dá muito trabalho.Penso em viver, mas exige muito esforço.Estou cansada de todos. Estou cansada de mim.Estou cansada de pensar, pensar, e não ir a lugar algum.Me cansei de todos os livros: fechados, não dizem nada!
Estou cansada da minha voz, da sua voz, cansada de todos os rostos que ainda não vi.Estou cansada demais para apagar a luz, e cansada demais para deixá-la acesa.Estou cansada de sorrir mas chorar exige esforço.Tudo está errado.Tudo,tudo,tudo. Mas se tudo está errado precisa ser concertado, e estou cansada demais para mudar o mundo,mesmo que seja o meu mundo. E se já não quero nada, nada, nada,estou cansada demais para desejar ardentemente alguma coisa-mesmo que essa coisa seja nada. Estou cansada de sentir, mas muito cansada para não sentir nada. Cansada demais para ter raiva. Cansada demais para sentar,deitar,levantar.O sol me traz tédio, a noite é hostil. Cansei-me de tudo, de todos, da vida, da morte, do tudo, do nada, cansei de pensar em como estou cansada. E agora cansei de escrever: Estou com sono.

Escrito por lila às 08h53
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Porto solidão

Onde está minha guia?
Onde está? Eu a perdi
Sou hoje um barco à deriva
Pois foi tanto o que sofri.

Na noite clara o mar conversa
Eu conto-lhe histórias distantes
A brisa diz- não tenha pressa
Ainda virão os teus instantes.

Um veleiro se aproxima
Mas antes que possa chegar
Eu o sopro, pois já sei
Que como todos partirá.

Sopra-lhe o vento da solidão,
É ela minha companhia
É quem me segura a mão
Quando me vejo perder a guia.

As ondas são mistérios sem fim
A esconder com burbulhos o canto
Do silêncio profundo submerso
Do qual são apenas o manto.

As ondas se agitam, como meus olhos
Meu coração tem a calma do mar
-E tantos sonhos naufragados!
Outros profundos, difíceis de achar.

Mas agora sou barco à deriva
Deixo o vento então me levar
Me afasto do porto, perco a guia
E já não sei como voltar.




Escrito por lila às 07h44
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A águia e as galinhas

-Quero a minha liberdade
Preciso voar, voar!
Estas coisas dizia a águia
No seu agressivo olhar.

Apartada foi de seu ninho
Para entre as galinhas se criar
Olhos filhos do horizonte
Mas não o pode buscar.

Todo o galinheiro a rejeita
Selvagem por dentro, sem querer
Guerreira da terra, sem o ser,
És do infinito azul a eleita.

Deixai sair esse grito
Que não aprendeste a soltar
Filha dos alpes, coração nas garras,
Tuas asas podem voar!

Águia sofrida, te deixes levar
De todas as aves, o vôo magistral
Não és galinha, te criaste como tal
Mas não te conformas em ciscar.





Escrito por lila às 07h31
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Fazer poesia, para mim...

Fazer poesia, para mim,


É transcrever nas letras a dor
E delas fazer canção
É esconder nas rimas que dançam
O segredo da solidão.

É viajar por toda parte
E não achar-me em parte alguma
É procurar em vão, na arte
A paz, que em mim não há nenhuma.

Eu não contemplo as estrelas
Antes, odeio-as todas
Eu amo o negror de uma noite
Em que não se possa vê-las.

Não me deslumbra o arco-íris,
Ele é colorido demais
Nos dias de chuva fria, céu cinza
Ah, como me sinto em paz!

A beleza eu não contemplo
Do céu, da lua, do rosto, da flor
Mais bonito me parece o momento
Que na lágrima vejo levar-se uma dor.

Poesia para mim, apenas resumo
Não na borboleta multicor, tão livre
Mas no verme,que no casulo encerra seu mundo
E não no jardim, mas em trevas, vive.



Escrito por lila às 07h31
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O amor é feio

O amor é feio
E tudo o que dele provém
É inútil, e ridículos são
Todos aqueles que o têm.

O amor é tolo, é hostil
Somente em sentir se compraz
Instável utopia tão vil
Que vem e que vai, nada mais.

São tolos os apaixonados
Arrancam-me muita risada
Tolos são poemas, e história não há
Que,de nova, não tenha já sido contada.

O amor que vejo é feio
Tudo isso é grande engano
Que idiotia é o amor
Só porque eu não amo.


Escrito por lila às 07h29
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Música

O som de uma canção tardia
Silenciosamente me desperta
Saindo da noite espessa e fria
Na janela há alguém que não cessa
De procurar sem descanso pelo dia
Que em meio à escuridão não há
Só resta agora dentro de si
Mas já não o pode enxergar.


Escrito por lila às 07h28
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Poesia

Minha alma é poesia - toda ela
Rima, sofre, canta
Num rio de emoções em ondas
Que não cessam de quebrar
E nunca dizem ao certo
Aonde irão me levar.


Escrito por lila às 07h28
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Meus olhos

Tenho os olhos da utopia
De um mundo que não existe
Saudades trago na alma
Da terra que nunca viste.


Escrito por lila às 07h27
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Estagnada

A cada dia pareço mais tranquila
Talvez até mais feliz
A cada dia me vejo ir aos poucos
No rumo de uma morte, por dentro, que nunca quis.

Eu olho para um lugar
Em que você não está mais
E você levou
Uma parte de mim, um passado voraz
Que deixou comigo, e está aqui:
Com ela não posso voltar atrás
Sem ela não sei aonde ir.


Escrito por lila às 07h26
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Meu sonho

Pus meu sonho num botão
De uma flor de primavera
E plantei-a no jardim
De minha última quimera.

Da janela eu a via
Veio o vento e balançou;
Veio a chuva e então,um dia,
O inverno a levou.

Saí à minha janela
Para outra vez buscá-la
Dei-me então por sua falta
E corri a procurá-la.

Meu sonho o vento levou
Já não sei onde encontrar
Sem rumo ele se vai
Para mim não mais voltará.

Despedaçado deve estar
Cada dia mais longe, a voar
Por tantos passa, a todos vê
Mas ninguém o pode enxergar.

Primaveras outras passaram
E eu, sem outra dela desejar,
Às vezes me vejo tão longe:
Sem descanso, a procurar.


Escrito por lila às 07h25
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Este é meu novo blog,nele estarão poemas, poesias e crônicas de minha autoria e também algumas histórias/fatos importantes da minha vida.

Escrito por lila às 07h22
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